Os olhos escuros de Valentino moveram-se levemente. Seus dedos não paravam de brincar com o isqueiro de metal, e ele franziu os lábios vermelhos.
Pietra ajudou Flávia a se sentar.
— Pietra, já está tarde. Vá para casa primeiro, eu fico com ela hoje à noite. — Rafael olhou para Pietra, que não parava de bocejar.
Pietra já não tinha dormido bem no dia anterior, e mal conseguia se manter em pé. Ao ouvir isso, concordou: — Se precisarem de algo, me liguem.
Rafael respondeu positivamente, e só então ela saiu do hospital.
Independentemente do quanto Rafael tentasse convencê-la, Flávia simplesmente se recusava a ir descansar. Ele soltou um suspiro impotente e restou-lhe apenas fazer-lhe companhia.
O tempo passou minuto a minuto e, no horizonte, um feixe de luz despontou.
Flávia não conseguiu mais aguentar. Sua cabeça tombou para o lado e ela dormiu escorada no ombro de Rafael.
Rafael amparou sua cabeça com todo o cuidado e a levantou nos braços. Justo quando passava por Valentino.
O homem de repente perguntou: — O que você tem com ela afinal?
Rafael parou de andar, com a voz fria. — O Sr. Monteiro é tão inteligente, será que não consegue enxergar qual é a nossa relação?
Dito isso, ele saiu com passos largos, carregando Flávia.
Valentino ficou plantado no lugar, estreitando os olhos de modo perigoso.
O celular começou a tocar. Ele olhou para o identificador de chamadas, mas não atendeu até a ligação cair.
A pessoa, persistente, ligou mais algumas vezes e, ao ver que ninguém atendia, finalmente desistiu de ligar.
No dia seguinte de manhã cedo, o zelador do hospital reclamava enquanto limpava a pilha de bitucas de cigarro espalhadas pelo chão.
— Quem será a pessoa sem a menor educação? Já não basta fumar no hospital, ainda joga guimba em todo lugar.

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