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A Luna Indesejada do Alfa romance Capítulo 98

(Ponto de vista de Kennedy)

— Eu não fiz nada de errado! Quem você pensa que é para me acusar assim? — Endireitei o corpo até a minha altura máxima, o que, contra um lobisomem, não era nada impressionante, mas me fazia sentir melhor. — Eu vivo cercada de guerreiros. Só saio depois de confirmarem tudo com você duas vezes, e ainda assim só para treinar, ver os filhotes ou correr. Aliás, hoje foi a primeira vez que corri fora desde que cheguei. Cada passo meu passa pela sua aprovação. Sinceramente, só falta eu precisar pedir autorização para ir ao banheiro. Eu devia ganhar um troféu de paciência e obediência. No fim das contas, eu só vou onde me deixam!

— Depois de hoje, isso vai mudar. — Ele avançou com um rosnado rouco, e o calor que emanava daquele corpo massivo me envolveu num segundo, fazendo meu corpo reagir antes da minha cabeça. "Droga. Eu não podia me deixar sentir nada disso!"

— Como se isso aqui já não fosse uma prisão. Vai me dizer o que mais pretende arrancar de mim agora? — Cruzei os braços, realmente curiosa para saber qual seria a próxima discussão, enquanto ele deixava o olhar deslizar por todo o meu corpo, de cima a baixo.

— Você não tem permissão para sair da casa da alcateia. Em hipótese alguma. Não até resolvermos essa ameaça.

— Que ameaça? — Retruquei. — Você vive jogando essa palavra "ameaça" como se eu devesse entender tudo, mas nunca explica nada. E, sério, para de me chamar de fraca. — Tive de segurar o impulso de bater o pé. — Eu sou uma guerreira…

— Você é uma humana que aprendeu a lutar numa alcateia pequena. Não é a mesma coisa. — Ele respondeu, duro. — Você está restrita à casa da alcateia até eu dizer o contrário.

— Não faz sentido arriscar meus guerreiros e o resto da alcateia só porque você não sabe se ocupar sozinha. — Ele retrucou. — Você vai ficar aqui, na casa da alcateia. Já tem tudo o que precisa: quarto, comida, espaço para treinar e estudar, e ômegas disponíveis para atender qualquer pedido. E nem pense em tentar usar charme com meus guerreiros de novo. Flertar não vai te render vantagem nenhuma. Nem se atreva a sair daqui. Entendido?

— Vai se f*der! — Rosnei. — Se vai me manter aqui, entenda uma coisa: eu vou ser parte da alcateia, não a sua prisioneira. E não vou aceitar ser tratada como tal. Eu nunca coloquei ninguém em risco de propósito, do mesmo jeito que você também não. Segui todas as suas regras idiotas e vou continuar fazendo o que sempre fiz. Até porque você quase nunca está por perto para me impedir. E, se a ideia é me manter longe dos guerreiros, você também precisa manter distância das vagabundas da alcateia. Você está fedendo. Belo exemplo, Alfa. — Dei as costas sem hesitar, abandonei o quarto dele com a porta batendo forte na parede e fui direto para o meu, fechando-a atrás de mim como ponto final daquela discussão.

No instante em que fiquei sozinha, respirei fundo e segui para o banheiro, tentando conter as lágrimas de raiva tanto pelo que ele tinha dito quanto pela constatação de que eu não estava errada, já que, mesmo sendo companheiros, ele estava com outras. Eu sabia disso sem precisar de prova, e sentir perfumes nele apenas reforçava a verdade. No fim, tudo o que eu queria era me livrar do cheiro da floresta e dele na minha pele, mas não cheguei nem a encostar no box do chuveiro antes de ser girada bruscamente, com as costas batendo contra o vidro.

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