(Ponto de Vista de Elara)
Fomos arremessados para trás, e senti o peso de Marietta desaparecer das minhas costas enquanto meu corpo girava pelo ar. Quando caí no chão, senti a brita e a terra rasgando minha pele humana nua. "Que porr* foi essa?"
A poeira da queda entrou direto na minha garganta, me fazendo tossir à medida que eu tentava focar no cenário embaralhado diante de mim. Instintivamente, procurei minha loba, mas ela tinha sumido. E, meu coração quase saiu pela boca quando tentei alcançar Ben pelo vínculo e não encontrei nada. "Aquilo não estava certo. Tinha alguma coisa muito errada ali…"
Sem minha loba e sem a presença dele, eu me sentia instável, como se tivesse perdido parte de mim. E, mesmo incapaz de senti-lo pelo vínculo, eu sabia que Ben continuava ali em algum lugar. Meu sangue Alfa ainda captava a presença das pessoas próximas, porém eu não conseguia identificar ninguém nem estabelecer conexão com quem estava ao redor.
A névoa turva na minha frente atrapalhava tudo, até minha visão periférica. Logo, pisquei de novo, tentando obrigar meus sentidos a funcionarem porque aquele definitivamente não era o momento para ficar perdida. Afinal, tudo ao meu redor continuava parecendo fora do lugar. A Fenda, por sua vez, sufocava em dor, me chamando de um jeito desesperado, como um animal ferido implorando para ser salvo. Eu não sabia o que tinha acontecido durante as últimas doze horas, porém estava óbvio que tínhamos sido atraídos para uma armadilha. E, sinceramente, naquele instante só existiam duas prioridades na minha cabeça: encontrar meus amigos e matar a desgraçada da Eliza.
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— Está vendo isso? — Uma voz sedosa e provocante envolveu minha mente. — A Alfinha já percebeu que está sob nosso controle.
Uma risada afetada atravessou minha cabeça, quase como o ronronar de um gato. Naquele momento, eu já nem conseguia dizer se ela estava falando comigo ou se tinha outra pessoa ali.
— Peguem ela. Os outros não importam.
No entanto, eu continuei desorientada demais para controlar qualquer coisa. Eu mal conseguia controlar o próprio corpo, e meus pensamentos estavam tão confusos que parecia que eu tinha batido a cabeça com violência e ferrad* tudo dentro dela. Meu cérebro até tentou se reorganizar ao mesmo tempo em que eu lutava para pensar. Ainda assim, nem consegui terminar aquela linha de raciocínio, porque fui erguida bruscamente do chão e acabei pendurada de cabeça para baixo no instante seguinte.
No meio daquela situação absurda, meu olhar caiu direto sobre Ben após outra piscada, jogado no chão de bruços. Ele continuava imóvel, com o rosto virado para o lado oposto ao meu, porém não havia sangue espalhado ao redor dele. Aquilo bastou para eu me agarrar à esperança de que ainda estava vivo. "Eu sentiria se algo pior tivesse acontecido. Nenhuma barreira no vínculo conseguiria esconder isso de mim…" Jax e Dev estavam perto, mas Marietta e Briana não estavam entre os corpos caídos. "Onde elas estavam?"
— Ai.
"Caralh*, isso doeu…"
Era óbvio que quem estava me carregando não ligava nem um pouco para o estrago que estava causando. O ombro dele pressionava meu estômago e meu quadril com tanta força que cada movimento doía ainda mais.
— Só joga ela ali. Isso não vai levar muito tempo. A magia já ficou mais forte só porque ela chegou aqui. — A voz feminina ronronou novamente antes de puxar o ar devagar e soltá-lo num suspiro satisfeito. — Está sentindo isso, Alfinha?
Meu corpo bateu contra o chão sem qualquer delicadeza. O cabelo ruivo, completamente bagunçado e cheio de nós, caiu sobre meu rosto, escondendo da minha vista os filhos da put* responsáveis por me afastarem do meu companheiro e dos meus amigos. E, mesmo tonta, me ajustei da melhor maneira possível até ficar sentada. Eu podia estar nua, vulnerável e presa nas mãos de uma psicopata, mas ainda conseguia sustentar um mínimo de dignidade.
— Meu nome é Elara. Alfa Elara Carman, da Alcateia da Garra Negra. Agora me diz… Quem é você?
Assim que virei o rosto, encontrei uma garota linda demais para ser real. Por um instante, achei que estivesse olhando para Briana. Os cabelos castanho-chocolate caíam até a cintura, e os traços delicados eram praticamente idênticos aos dela. A diferença era que, naquela mulher, tudo parecia exagerado, quase artificial, como alguém viciado em cirurgia plástica tentando alcançar uma perfeição impossível. Porém os olhos entregavam tudo. Os olhos castanhos-claros de Briana sempre transmitiam calor e segurança, daqueles que faziam qualquer um se sentir confortável. Já aqueles olhos castanhos-escuros diante de mim, marcados por um anel avermelhado, transbordavam segundas intenções.
— Você vai se dirigir a mim como...
Levantei a mão imediatamente, interrompendo-a. "Se ela pretendia me matar depois de me usar, então eu faria questão de mostrar exatamente o nível da minha irritação. A única coisa que eu sabia era que ela precisava de mim viva naquele momento, então eu pretendia testar a paciência dela até o limite…"
— Só fala seu nome logo, porque ficar te chamando de vadi* vai perder a graça rapidinho.
Levantei devagar até ficar de frente para ela. Apesar da visão continuar parcialmente embaçada, eu já conseguia perceber a melhora. Minha cura ainda funcionava... "Bom sinal."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Luna Indesejada do Alfa
E a história da Kennedy + Ryker nunca mais voltou.......
Parecis legal. Mas ai começa o autoritarismo e machismo e tudo perde a graça e fica mais do mesm9...