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A Luna Indesejada do Alfa romance Capítulo 83

(Ponto de vista de Kennedy)

— Então decidiram colocar todas as minhas coisas em outro carro? Você não pode falar comigo, e o Jeeves ali parece seguir a mesma regra, porque não disse uma palavra nem levantou os olhos. Eu faço o quê esse tempo todo, fico olhando para o nada?

— Eu pensei que talvez você fosse dormir. O Jason disse que você dormiu a viagem toda da última vez.

— Sim, depois de passar três dias seguidos dormindo mal, com a Rayna aparecendo inesperadamente na minha alcateia e tentando me bater, tudo isso somado a umas dez horas de treinos extras só de estresse. Naquela época, estava exausta e precisava dormir. As circunstâncias são completamente diferentes. — Eu estava tendo dificuldade para controlar o tom da minha voz.

— E o que foi aquilo, afinal? Sobre o pesadelo e tal. Acordar com você gritando foi aterrorizante.

— Quando você contar o real motivo de todo mundo me evitar, aí eu conto sobre isso. Combinado? — Veio mais um suspiro, e meus braços se fecharam automaticamente sobre o peito. — Foi o que eu pensei, Gama. — Elevei um pouco a voz. — Isso não pode ser só do seu jeito, Alfa. Eu sei que você está ouvindo. Então cria coragem e enfrenta, porque do contrário, isso vai virar problema para geral.

As paradas vinham de hora em hora, só para os lobos da patrulha se revezarem e descansarem um pouco. Enquanto eu ainda tentava entender como eles aguentavam seguir o percurso todo na forma de lobo, correndo mesmo. Era de tirar o fôlego... Na minha cabeça, era para evitar ataques surpresa, mas ninguém confirmou nem negou nada. Inclusive, fiz questão de perguntar em todas as trocas. Em uma delas, achei que o Josh fosse perder a paciência de vez e me calar à força, pelos olhares que ele me lançou. Confesso que me diverti demais com isso, mais do que deveria. Fazer o quê? Já tinham tirado de mim qualquer chance de distração... Eu não ia ficar sentadinha, quieta, como se fosse só um objeto decorativo. Portanto, aproveitei que ele ficou preso comigo no carro e falei no ouvido dele o tempo todo, só por pirraça mesmo.

Foi só na terceira parada que vi a Greta. Deram pra ela a função nobre de me acompanhar até o banheiro, porque, aparentemente, até pra mijar agora eu precisava de escolta. "Ridículo!" Pelo menos ela era tranquila e conseguia conversar sem ficar travada de medo de falar mais do que devia sobre a alcateia. Ainda assim, não deu para bater muito papo com uma divisória no meio.

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