Aquele remédio para evitar a gravidez, se fosse pego de forma aberta, com certeza não daria certo.
Íris ordenou a Flora que, aproveitando o momento em que recompensava os médicos, pegasse o remédio às escondidas.
Flora realizou a tarefa com destreza, conseguiu pegar o remédio e foi para a pequena cozinha para prepará-lo em segredo.
Mas a Dama Marli, a responsável pelo serviço, viu tudo.
Ela estava com a aparência mais excelente do que de costume, afinal, a Imperatriz estava grávida, e como chefe da administração, a Dama Marli se mostrava mais vigilante do que nunca.
Ela desconfiava que alguém pudesse tentar prejudicar o filho da Imperatriz, e ficava de olho em todo mundo no Palácio da Harmonia.
Nunca imaginou que realmente pegaria alguém no flagra.
Flora, agindo de maneira furtiva, preparava um remédio que o médico não tinha autorizado. Claramente havia algo errado!
Primeiro, a Dama Marli fez com que alguém distraísse Flora. Depois, rapidamente levantou a tampa e examinou o conteúdo.
Com sua experiência, percebeu logo que havia substâncias fortes como almíscar ali dentro.
— Imperatriz! Isso não pode! — Murmurou ela para si mesma.
Se o filho da Imperatriz desaparecesse, todo o Palácio da Harmonia estaria em perigo!
A Dama Marli resmungou baixinho:
— Essa Flora, sempre fingiu ser uma serva fiel, mas na verdade está tramando! Vou ter que dar um jeito nela.
Ela pensou em contar diretamente para a Imperatriz, mas logo percebeu que a Imperatriz sempre protegia suas servas, e talvez apenas ignorasse a situação.
Então, a Dama Marli girou os olhos, um plano lhe veio à mente, e saiu da cozinha apressada.
...
Meia hora depois, o remédio estava pronto.
Flora o levou até Íris, com as mãos levemente trêmulas.
Ela sabia que a história da gravidez da Imperatriz era falsa, mas naquele momento, talvez, houvesse mesmo um filho na barriga dela...
Ela falou com cautela:
— Senhora, todo o palácio acredita que a senhora está grávida, e antes a senhora estava preocupada...
Íris lançou um olhar frio.
— Não se ache esperta demais.
Não era só uma possibilidade, mesmo que estivesse grávida de fato, Íris não hesitaria em interromper a gestação.
Dito isso, ela levantou a tigela com o remédio...
De repente, uma figura amarela entrou correndo.
Com um estrondo, o remédio voou pelos ares.
Os pedaços de porcelana se espalharam, o líquido se esparramou por toda parte!
— Se cale e saia!
Ele a conhecia bem o suficiente para saber que ela jamais teria coragem de fazer algo daquele tipo. Aquilo só podia ter sido ideia da própria Imperatriz.
Flora ainda tentou falar, mas Íris levantou uma mão, calma e firme:
— Vá, Flora.
Flora hesitou por um instante, mas ao ver o olhar decidido da senhora, abaixou a cabeça e obedeceu.
Quando todos os outros se retiraram, o olhar de Mateus se tornou pesado, quase sombrio, como tinta negra se espalhando na água. Ele fitou Íris com um tom de reprovação:
— Por que fez isso? Você não entende quantos esperam por essa criança?
Íris pretendia apenas defender Flora e poupá-la do castigo. Mas pelas palavras dele, percebeu que Mateus já sabia que Flora apenas seguiu ordens e isso a poupava de explicações.
Ela respondeu, com sinceridade:
— Majestade, eu só quis evitar que o prejuízo fosse maior.
Mateus queria conversar com calma, mas ao ouvir aquilo, o sangue ferveu. Ele segurou o braço dela com força, a fazendo encará-lo.
— Prejuízo? Que prejuízo é esse? Ter dormindo comigo te trouxe algum prejuízo?!
Ele a fitou com olhos frios e perigosos, esperando uma resposta.
Se ela ousasse dizer “sim”, ele a faria pagar caro.

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