O homem se sentou, a roupa solta aberta, revelando sua cintura e abdômen fortes, marcados pelas marcas das mãos dela da noite anterior, bem visíveis.
Ele segurou o queixo de Íris e virou sua cabeça para que olhasse para ele. Como uma fera satisfeita, seus olhos se tornaram dóceis, preguiçosos, misturando uma pitada de carinho que nunca havia demonstrado antes.
— Ontem à noite... — Começou ele.
Os olhos de Íris permaneceram calmos, imóveis como águas paradas.
— Eu estava bêbada. Se ofendi a Vossa Majestade de alguma forma, peço seu perdão. Isso... Não vai se repetir.
Ele franziu as sobrancelhas, e a ternura em seu olhar desapareceu instantaneamente.
— A Imperatriz prometeu que engravidaria em breve. Só uma vez já foi suficiente?
Íris arqueou as sobrancelhas.
Ela jamais concordaria com algo tão absurdo!
— Palavras de uma pessoa bêbada não valem.
Ao ouvir isso, um frio percorreu os olhos de Mateus.
— Estava bêbada, então não vale? Imperatriz, ontem à noite foi você quem se aproximou de mim, quem me pediu! Isso também não vale?
Ele falava de forma exagerada, mas não havia como negar, ela realmente tinha sido a iniciadora.
Íris olhou para ele com indiferença, em silêncio.
Mateus viu sua postura e pensou numa expressão: “Quem se esquece depois de se aproveitar”.
Normalmente se falava de homens desprezíveis, mas não imaginava que uma mulher pudesse agir daquela forma.
Ele riu com raiva, um riso que cortava como faca, e seu olhar parecia querer rasgá-la.
— Certo. Vou apenas fingir que fui mordido por um cachorro. Da próxima vez, não caia nas minhas mãos.
Ele pegou suas roupas e saiu da tenda.
As cortinas caíram, bloqueando toda a visão de Íris.
Ela ficou parada, encarando a cama bagunçada, com os punhos cerrados.
...
Quando Mateus voltou ao Palácio Supremo, ele estava envolto por uma aura de rancor silencioso.
Por onde passava, os servos se calavam e recuavam.
Na sala, o biombo que havia sido trocado há poucos dias foi destruído novamente por ele.
Omar olhou para os destroços e suspirou.
“Vou ter que trocar outra vez...”, pensou ele.
Naquele momento, fora do palácio, no templo abandonado.
A multidão já havia se dispersado.
Kayra estava quase nua, com o corpo coberto de hematomas roxos que chocavam à vista.
Ulisses jogou seu manto sobre ela.
Ela engoliu em seco e disse com a garganta rouca:
— Você... Vai pagar por isso!
Os olhos de Ulisses permaneceram frios.
— Não, isso é o seu castigo.
Será que ela ainda se achava inocente?
Leona havia sofrido por culpa dela e ainda estava inconsciente naquele momento.
Ela não podia suportar a mesma dor, mas queria que os outros a sentissem?
Ele a advertiu:
— Você nunca vai se tornar a verdadeira Jovem General Teles.
Kayra cuspiu para ele, em silêncio, mostrando sua raiva.
Ulisses não se importou, a pegou no colo e a levou de volta à residência dos guardas do portão.
Ela não entendia por que Mateus parecia ressentido com ela.
Será que ele havia saído prejudicado na noite passada?
Se ele não quisesse, poderia simplesmente ter a afastado.
Afinal, ela estava bêbada, e ele permanecia sóbrio.
O que pendia no pescoço do Imperador incomodou muito a Imperatriz-Avó.
Ela comentou:
— Depois cobre isso, para não dar má impressão se alguém ver. Principalmente aquelas concubinas que há anos não recebem o favor do Imperador.
No dia de Ano Novo, ver algo assim só deixaria o coração delas pesado.
Mateus parecia não ouvir.
Na verdade, ele agia de propósito, querendo que todos vissem o que a Imperatriz tinha feito por ele!
“Essa mulher maldita, ingrata e fria!”, pensou ele, com raiva.
Depois de se cumprimentar a Imperatriz-Avó, Íris seguiu para o Palácio da Longevidade.
A Imperatriz-Mãe a viu e também a repreendeu:
— Imperatriz, você está grávida, como pode agir assim? O Imperador não entende, e você também não entende? Essa criança na sua barriga não pode correr nenhum risco!
Íris aceitou a repreensão com calma:
— Sim, eu entendi e vou me cuidar.
Logo ela percebeu que, se o que tinha acontecido na noite passada tivesse dado certo, ela realmente poderia estar grávida...
Pensar nisso deixou o rosto de Íris um pouco sombrio.
Ela usou o pretexto de não se sentir bem e se retirou apressadamente.
Ao voltar ao Palácio da Harmonia, a primeira coisa que fez foi tentar preparar o remédio para evitar a gravidez.
Mas aquilo não era fácil de conseguir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Guerreira Virou Imperatriz: Vinganças e Intrigas