Wyatt não disse nada inicialmente. Ele tirou um cigarro do maço, levou-o aos lábios, mas não o acendeu. Após alguns segundos, ele o tirou e o esmagou na mão, o papel se amassando em um nó silencioso e apertado.
"Você realmente acha que Oscar é um bom irmão?"
Sua voz era aguda, entremeada com risadas amargas. "Ele não era inocente. Owen foi quem arruinou sua vida, sim — mas Oscar? Se ele tivesse um pingo de verdadeira lealdade familiar, ele não teria deixado Owen lidar com seu caso dessa maneira. Você quer saber por que Oscar assinou aquele documento de doença mental sem verificar nada? Porque Owen prometeu a ele uma nova rodada de financiamento para pesquisa. E esse dinheiro veio do seu prêmio médico. Oscar sabia disso. Mesmo assim, ele assinou."
A cabeça de Yunice levantou-se lentamente. A suspeita crescente em seus olhos deixava claro — era a primeira vez que ela ouvia qualquer coisa sobre isso.
Ela sabia que Oscar sempre manteve distância, que sua versão de responsabilidade significava lógica fria e desapego emocional. Quando Owen disse a ele que ela estava mentalmente instável e havia prejudicado outras pessoas, ele co-assinou o diagnóstico falso sob o pretexto de ajudá-la a evitar acusações criminais. Ela acreditava que era um erro de julgamento, ou talvez apenas confiança mal colocada.
Mas agora, ela sabia a verdade.
Não foi um erro. Foi uma transação.
A voz de Wyatt abaixou. "Sabe o que realmente me irrita?"
Ele fez uma pausa, com a mandíbula apertada. "Quando eu estava escondido no exterior de um ataque, encontrei Oscar uma vez. Eu o reconheci imediatamente, mas ele não me reconheceu. Eu perguntei se ele tinha mantido contato com sua família — se ele sabia como você estava. Sabe o que ele disse? Ele disse que Paul tinha se estabelecido, tratado você bem, que vocês dois estavam loucamente apaixonados. Ele até me agradeceu por perguntar."
A amargura em sua voz era inconfundível, cada palavra entrelaçada com fúria contida. Sua mandíbula estava tão apertada que parecia que ele estava fisicamente segurando a vontade de cuspir.
Ele sempre se importou. Ele sempre estava observando. Naquela época, para evitar trazer problemas para Yunice, ele nem mesmo usou conexões em que confiava. Ele contratou informantes anônimos para relatar silenciosamente sobre a "filha mais velha da família Saunders". E as atualizações que voltaram? Todas pintavam um quadro de uma mulher vivendo pacificamente, feliz, com alguém que a amava.
Ele nunca imaginou que alguém poderia ter sua identidade roubada em plena luz do dia. O que o enfureceu ainda mais foi que nenhum de seus supostos entes queridos havia questionado isso. Eles tinham aceitado — assim, sem mais nem menos.
Essa foi a primeira traição.
Mais tarde, ele viu Oscar novamente. Pensando que ele poderia saber mais, Wyatt fingiu ser um contato farmacêutico e o convidou para beber, esperando pescar detalhes.
Tudo o que ele conseguiu foi uma mentira agradável e vaga sobre como Yunice e Paul estavam bem juntos.
Ele acreditou nisso. O ciúme havia turvado tudo. Ele não suportava a ideia de invadir o que parecia uma vida calma e contente. Ele não queria ser o estranho amargo invadindo para arruinar sua felicidade.
Essa foi a segunda traição.
Ele odiava todos eles. Paul. Owen. Mas, acima de tudo, ele odiava Oscar.
Oscar não tinha feito nada óbvio. Ele não tinha levantado a mão. Ele não tinha gritado ou mentido diretamente. Mas de alguma forma, isso tornava as coisas piores.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Filha Invisível