Elsie praguejou baixinho e saiu do carro. Tentou chamar outro transporte, mas ninguém a aceitou. Seus olhos se voltaram para o hospital à sua frente. Owen deveria estar lá.
Mantendo a cabeça baixa para evitar olhares, ela entrou sorrateiramente e se esgueirou para a sala de armazenamento de resíduos médicos. Lá, ela pegou um jaleco branco e o jogou sobre os ombros. Sem hesitar, entrou em um quarto de paciente vazio, correu para o banheiro e trancou a porta por dentro.
Barulhos de batidas e vozes irritadas vinham de fora, mas ela os ignorou. Ela se lavou da cabeça aos pés com o shampoo que encontrou no chuveiro. O mau cheiro aliviou um pouco, mas o inchaço grotesco e a deformação abaixo de sua cintura tornavam o alívio normal impossível. Ela não conseguia remover o objeto dentro dela sozinha e, no final, não teve escolha a não ser sair ainda sobrecarregada pelo seu enorme estômago.
No momento em que ela saiu, alguém do lado de fora recuou com um grito. “Que inferno—este lugar fede! E olha esse banheiro, está imundo. O que, você não toma banho há um ano?”
Elsie não disse nada, cobriu-se com o jaleco e caminhou pelo corredor. Ela começou a procurar pelo quarto de Owen.
Então uma voz familiar chegou aos seus ouvidos.
“Carl, eu te imploro. Estou morrendo aqui—por favor, por favor me ajude a encontrar a Elsie. Só de pensar nela, uma jovem sofrendo lá fora, meu coração parece que está sendo cortado em pedaços…”
Elsie congelou, prendendo a respiração. Seu nariz ardeu, e ela cobriu a boca com a mão. “Mãe…”
Sua mãe ainda estava procurando por ela. A realização quase a sobrecarregou de emoção.
Lily não a viu. Ela manteve a cabeça baixa sobre o telefone, sua voz trêmula enquanto tentava ganhar a simpatia de Carl. Mas depois de desabafar, a resposta foi uma risada afiada e zombeteira.
“Oh? Você está agonizando pensando no sofrimento da Elsie? E quando Yunice—muito mais delicada que Elsie—foi jogada em um hospital psiquiátrico aos dezoito anos e torturada? Não te vi se contorcendo de dor por isso.”
Lily hesitou. "...Você—Freya?"
Ela olhou para o número novamente. Ela não tinha discado errado. “Eu liguei para o número do Carl. Por que você está com o telefone dele?”
A zombaria de Freya era gelada. “Esse não é o número do Sr. Carl de jeito nenhum.”
“Impossível. Ele me deu esse número pessoalmente. Freya, não brinque comigo.”

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