Yunice não disse mais nada e desligou por conta própria.
Taylor era alguém que valorizava o amor. Ela acreditava que o amor verdadeiro existia — e talvez, só talvez, ela o tivesse encontrado.
Yunice encarava o quadro-negro coberto de anotações densas. A boca do professor se movia sem parar, mas nada fazia sentido. Sua mente só conseguia repetir a gravação de Wyatt.
Então ele já tinha colocado os olhos nela tão cedo assim...
A surra no corredor durou trinta minutos inteiros, mas aqueles homens ainda seguraram a mão o suficiente para não matar Paul. Eles não queriam sua vida. Queriam o dinheiro dele.
Quando a multidão finalmente se dispersou, Paul arrastou seu corpo machucado e ensanguentado como um rato, apavorado e imundo.
Enquanto fugia, roubou roupas dos varais para mudar de aparência, sempre olhando por cima do ombro.
Ele sabia que alguém estaria observando. Uns queriam humilhá-lo. Outros queriam um pedaço do que restava. Seja qual fosse o motivo, ele não podia ser pego.
Só depois de dar voltas por becos e trocar de roupa várias vezes, entrou numa loja de conveniência, o rosto manchado de fuligem. Jogou uma nota de dez no balcão e pegou o telefone fixo da loja.
O primeiro número não atendeu.
“Desgraçada,” murmurou, discando o segundo número com raiva.
Dessa vez, atendeu.
A voz de Nora veio, baixa e firme. “Vá até o prédio trinta e quatro.”
Paul sibilou: “Eu tô parecendo um cachorro atropelado aqui fora. Sem carro, sem apoio, e você quer que eu vá andando até o trinta e quatro?”
“Não é que eu não queira te buscar,” respondeu Nora. “É que você é a isca.
Taylor deixou você escapar de propósito. Ela sabe que, com o mundo todo contra você, a primeira pessoa que você procuraria seria sua aliada — eu. Agora, alguém está te seguindo, esperando eu aparecer pra derrubar nós dois de uma vez.
Enquanto eu não der as caras, você continua livre.”
Paul franziu a testa. Queria xingá-la, mas teve que admitir — ela tinha razão.

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