A voz de Taylor transbordava sarcasmo. “A propriedade dos Powell não consegue nem pagar as contas de luz. Eles fecharam partes do jardim para economizar. Se isso não prova que a família Powell está sem dinheiro, então o que prova?”
“Sério mesmo?”
“Impossível. A Powell Corporation é uma das empresas mais antigas de Silverburgh. Mesmo que os negócios tenham piorado, não tem como estarem tão quebrados assim. Não pagar nem as contas básicas? Isso é fundo do poço…”
Taylor continuou: “Se ainda não acredita, olhe para as decisões judiciais nas mãos desses homens—prova de que a Powell Corporation está devendo para eles.
Não são grandes empresas com cofres cheios. Eles arriscaram tudo para trabalhar com a Powell, bancando a produção do próprio bolso só para cumprir os pedidos.
Mas a Powell nunca pagou. Os negócios deles quebraram. Suas famílias afundaram em dívidas. E a Powell Corporation usou seu tamanho e influência para ignorar as reclamações, adiando os pagamentos indefinidamente. Por isso eles vieram aqui hoje—porque é a única forma de serem ouvidos.”
Um a um, os pequenos empresários avançaram, rostos pálidos e tensos, segurando documentos judiciais com as mãos trêmulas.
“Eles me devem pagamentos há seis meses!”
“Adiantei trinta milhões… Agora não consigo nem pagar a mensalidade da minha filha. Minha esposa está implorando pelo divórcio e tentou tirar a própria vida semana passada. Ela está na UTI!”
“E eu—tenho uma decisão judicial nas mãos, e a Powell ainda se recusa a pagar. Procurei a imprensa, e o Paul mandou capangas me espancarem! Depois subornou os repórteres para abafarem o caso!
Ele prefere pagar a imprensa do que quitar as dívidas!”
“Paul, seu sanguessuga miserável! Você guarda cada centavo como se fosse levar para o túmulo!”
A têmpora de Paul pulsava, uma veia saltando de raiva. “Segurança! Tirem eles daqui! Chamem a polícia! Acusem eles de perturbação da ordem!”
Mas quanto mais agressivo ele ficava, mais revoltados os empresários se tornavam. Cercaram Paul, quase encostando o rosto no dele. “Chama a polícia! Vai lá. Vamos ver quem está errado!”
Cercado, Paul começou a entrar em pânico. Seus olhos corriam pelo ambiente e a mão não parava de ir até a orelha.
Na sala de aula da universidade de medicina, Yunice assistia tudo pela transmissão ao vivo. Ela se inclinou para o microfone Bluetooth. “Taylor, ele está tocando a orelha o tempo todo. Acho que alguém está passando instruções para ele.”
Taylor lançou um olhar afiado para Paul—e, de fato, ele continuava mexendo discretamente na orelha, batucando os dedos de leve.
Ela reconheceu na hora os sinais. Um ponto eletrônico escondido. Sinais em código Morse. Paul estava enviando sinais para quem o orientava das sombras.
Hoje não.
Taylor deu dois passos firmes à frente e, sem aviso, enfiou a mão pela multidão e deu um tapa forte no rosto de Paul.
“Paul, você tem coração? Pague logo o que deve para essas pessoas!”

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