Wyatt continuou: “Toda vez que minha mãe dizia que não aguentava mais, eu implorava. Dizia que, se ela morresse, eu morreria junto. Eu já não tinha mais nada que me prendesse a este mundo mesmo.”
Sua voz ficou mais baixa. “Ela sentia pena de mim, então mudava de ideia. Foi assim que conseguimos sobreviver por mais dois anos. Mas acho que, no fim, ela realmente não suportou mais.”
“Ela mentiu pra mim, disse que estava com vontade de comer carne, e pediu pra eu buscar um pouco pra ela.”
“Saí de casa e…”
Wyatt ficou em silêncio. Mesmo sem terminar a frase, Yunice já sabia como aquela história acabava.
Ele precisou de um momento para se recompor. Quando ergueu o olhar de novo, finalmente percebeu que os olhos frios e distantes de Yunice estavam vermelhos. Lágrimas brilhavam nos cantos.
Wyatt respirou fundo e passou o polegar suavemente pelo canto do olho dela, visivelmente frustrado. “Isso foi há muito tempo. Agora ninguém mexe mais comigo, e ninguém vai se atrever a mexer com você também. Já passou, não tem por que chorar.”
Yunice baixou o olhar, escondendo as emoções nos olhos.
Wyatt mudou de assunto. “Você voltou pro dormitório hoje?”
O que ele realmente queria saber era se ela tinha visto o gravador.
Yunice desviou. “A panela tá fervendo.”
Wyatt imediatamente entrou em ação, usando luvas térmicas para tirar a tampa do vaporizador e pegar a tigela de cerâmica quente lá dentro.
Um aroma forte de chá de gengibre tomou conta do ambiente na mesma hora.
Por um instante, a expressão de Wyatt ficou distante, como se o cheiro o tivesse puxado para uma onda de lembranças.
Era a primeira vez que ele fazia aquilo desde a morte da mãe.
Ele usou um leque pequeno para esfriar o chá de gengibre. “Toma enquanto tá quente, depois descansa. Um bom suor vai te deixar novinha em folha.”
Yunice seguiu as instruções, depois enxaguou a boca e voltou pra cama.
Wyatt sentou ao lado dela, vigiando-a.
Depois de um tempo, Yunice abriu os olhos. “Não consigo dormir com você me olhando.”
Ser observada assim a deixava inquieta.
Wyatt pegou o celular. “Então vou olhar pro celular, não pra você. Dorme.”
Yunice fechou os olhos de novo.
Ela só planejava fingir que dormia por um tempo. Não estava menstruada, nem se sentia tão desconfortável assim.
Mas, depois de tomar o chá de gengibre quentinho e com o quarto tão silencioso, acabou pegando no sono de verdade.
Wyatt ficou ao lado dela. Quando teve certeza de que ela estava realmente dormindo, finalmente se permitiu observá-la à vontade.
Os cílios de Yunice eram lindos.
Com os olhos fechados, ela parecia tranquila e doce.
Wyatt sentiu vontade de tocar nos cílios dela. Mas, quando os dedos pairaram perto, hesitou—não queria acordá-la e arriscar encarar o mau humor matinal dela.

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