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A Filha Invisível romance Capítulo 655

Wyatt colocou cuidadosamente os sapatos de Yunice sobre o tapete e puxou o cobertor para cobri-la com delicadeza.

Poucos minutos depois, alguém bateu na porta—era um funcionário do hotel.

Ele abriu e voltou trazendo uma sacola cheia de itens de uso diário.

Yunice estava deitada de lado, observando ele se movimentar pela suíte. “Você está preparando alguma coisa?”

Wyatt puxou um banquinho e colocou uma tábua de cortar em cima—na altura certa para que Yunice pudesse ver tudo da cama.

E para que ele também pudesse mantê-la à vista.

Ele começou a fatiar gengibre. “Tenho um ótimo remédio. Pensei em tentar para você.”

Yunice o observou por um instante e perguntou: “Sua mãe também tinha cólicas muito fortes?”

Wyatt levantou o olhar, surpreso. “Como você sabe?”

“Eu a conheci uma vez quando era pequena,” respondeu Yunice, com calma. “Na época eu estudava leitura facial. Não consegui evitar dar uma olhada.”

Wyatt a corrigiu sem pensar. “Ela é sua sogra.”

“…” Yunice engasgou um pouco com o termo.

Já estavam casados há quase dois anos, mas tudo ainda parecia uma brincadeira de criança.

Wyatt cortou o gengibre em pedaços, depois em tiras e, por fim, picou bem fininho.

“Ela não podia comer carne vermelha na família Powell. O corpo dela era sempre frio, estagnado. Mal conseguia sair da cama todo mês—os lençóis encharcados de suor.”

“Foi aí que aprendi o quanto é difícil ser mulher.”

“Quando descobri esse remédio, era simples de fazer. Comecei a entrar escondido na cozinha para pegar os ingredientes—eu mesmo preparava no vapor para ela.”

Os olhos de Yunice acompanhavam as mãos dele enquanto ele raspava o gengibre picado para uma tigela. Sua voz ficou mais baixa. “Era aquele com quatro onças de açúcar mascavo, duas de gengibre, um pouco de raiz de angélica, sem água—só no vapor?”

Wyatt congelou. Um lampejo de emoção passou pelo seu olhar. Ele a encarou. “Foi você quem me deu essa receita?”

“Veio do meu pai,” respondeu Yunice, apoiando o queixo na mão. “Eu era criança—nem tinha cólicas ainda.”

“Você sempre guardou mágoa dele por ter feito o parto do Paul, mas não sabia—ele também ajudou sua família.”

“Meu pai é… de coração mole. Sempre acreditou que todo mundo sofre nesse mundo, então, se pudesse ajudar alguém, ele ajudaria.”

“Naquela época, ele ficou com medo de você ficar desconfiado, de não confiar na receita se soubesse que vinha dele. Então ele passou por baixo do portão do seu pátio. Só listou gengibre, açúcar mascavo e angélica—nada que pudesse causar problema. Achou que assim você aceitaria tentar.”

Wyatt ficou olhando para ela. Ele nunca soubera disso.

“Por que nunca me contou?”

“Era uma coisa tão pequena. Como eu ia saber que você lembraria disso?” murmurou ela.

“Tem mais alguma coisa que eu não saiba?”

“Que eu me lembre, não.”

“Sua mãe… ela deve ter odiado te deixar. Então por que…”

Por que desistiu primeiro?

A voz de Wyatt saiu baixa. “Ela não aguentava mais.”

“A família Powell não só negligenciava ela. Eles tinham mil maneiras de destruir uma pessoa sem deixar marcas.”

“A saúde dela nunca se recuperou depois que me teve. E então… veio a depressão. Só piorou.”

“Ela me disse muitas vezes—não conseguia mais segurar. Queria ir embora. Pediu que eu a perdoasse.”

“Disse que mantê-la viva só me arrastaria junto. Que enquanto ela estivesse ali, eu sempre estaria preso naquele pátio.”

“Ela acreditava que, se morresse… eu finalmente criaria asas.”

“Sairia da família Powell. E nunca mais voltaria.”

“Mesmo que eu virasse um camelô… ainda seria melhor do que viver como um cachorro naquela casa.”

As sobrancelhas de Yunice se franziram cada vez mais. Os olhos ardiam de raiva.

Aquele velho… como ainda está vivo?

Morrer seria pouco para ele.

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