Yunice murmurou: “Ela está indo na direção oposta?”
Ela não tinha se escondido naquele porta-malas só para ver Nora ser levada embora.
Yunice já suspeitava há tempos que Nora estava fingindo sua condição nesses últimos anos.
Que tipo de pessoa saudável conseguiria ficar imóvel em uma cama de hospital por três ou quatro anos seguidos—sem se mexer, sendo cuidada o tempo todo, com sua privacidade sendo invadida?
Esse tipo de resistência, essa tenacidade—alguém assim não desmorona fácil sob pressão.
Então, para testar as escolhas de Nora e eliminar possíveis ameaças futuras, Yunice tinha colocado um rastreador na bolsa que Wyatt preparou para Nora enquanto estava no porta-malas.
A bolsa continha os documentos de Nora. Não havia chance dela jogar aquilo fora.
E, de fato, nem trinta minutos se passaram antes que o ponto vermelho começasse a se mover... para trás.
Yunice franziu a testa. Devo avisar o Wyatt?
Em outro lugar, Jordan saiu de uma reunião da empresa e fez uma ligação urgente para Wyatt.
“Wyatt, do jeito que você previu—Nora não ficou parada. Ela já se reencontrou com Paul. Ele a pegou no mar e está trazendo ela de volta para Silverburgh em segredo.”
Wyatt zombou. “Idiota.”
Jordan concordou. “Não dá para negociar com um animal. Nora perdeu o juízo. Antes ela era vítima—agora está do lado do agressor, virando igual a ele. É doentio.”
Wyatt respondeu friamente: “Fique de olho nela. Não me importa de quem ela quer se vingar—mas se ameaçar Yunice, resolva. Na hora.”
Jordan respondeu: “Entendido.”
Depois de desligar, a inquietação de Wyatt só aumentou. Ele ligou para Laurie em seguida.
“Já se passaram quatro horas. Por que não recebi nenhuma notícia da Yunice?”
Será que Laurie tinha ao menos entregue a tal gravação?
Laurie, sugando o espaguete com o celular espremido entre o pescoço e o ombro, resmungou: “A gravação? Ah, pedi para a colega de quarto dela entregar. Se ela não respondeu, provavelmente ainda não viu.”
Wyatt rangeu os dentes. “Você disse que falaria com ela pessoalmente. Isso é o seu ‘pessoalmente’?!”
Laurie respondeu com preguiça: “Eu ia, mas ela não estava. Yunice não é um gato que você pega no colo quando quer. Ela tem a própria vida. Não está à disposição de ninguém.
E se você está tão desesperado, por que não liga direto para ela? Vai gritar comigo por quê?
Ah~ espera—será que o grande diabo de Silverburgh está... com medo?”

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