O careca quase engasgou—então Yunice tinha mesmo se escondido no porta-malas dele desde o restaurante da Cidade Universitária?
Isso significava... ela tinha ouvido tudo sobre a Nora.
Seu rosto ficou vermelho, quase roxo de vergonha. O fim estava próximo—ele sentia isso.
Wyatt ia xingá-lo de idiota sem cérebro de novo, com certeza.
Yunice virou-se para ir embora, sua voz flutuando de volta com o vento. “Não precisa contar pro Wyatt que eu estive aqui.”
“Hã?”
Ela abriu a porta do carro com naturalidade. “Ah, é mesmo. Esqueci—você só obedece ordens do Wyatt. Não precisa me escutar.”
Desesperado, o careca coçou a cabeça e correu para o banco do motorista, pronto para ser o chofer dela.
Sempre diziam para nunca trabalhar para casais—afinal, pra quem você devia obedecer?
O carro sacolejava pela estrada, o silêncio pesado de constrangimento.
Ele era um homem de força bruta, não de palavras. Um lutador, não um conversador.
Pelo canto do olho, ele ficava lançando olhares furtivos para o rosto de Yunice, com medo de ela entender errado—achar que Wyatt tinha poupado Nora por algum sentimento.
Depois de uma longa batalha interna, ele finalmente murmurou: “Senhora... mandar a Nora embora não foi por fraqueza. É que... o Wyatt disse que agora quer seguir o caminho certo. Ele não faz mais aquelas coisas antigas...”
Droga. Falei tudo errado.
Yunice arqueou uma sobrancelha. “Seguir o caminho certo?”
Vendo que ela não explodiu, o homem se endireitou e deixou as palavras saírem. “Antigamente, o pessoal em Silverburgh dizia que o Wyatt era impiedoso. Mas que escolha ele tinha? Quando alguém aponta uma faca pro seu pescoço, o que você faz? Deita e morre?”
“Mas agora é diferente. A família Powell acabou. O velho tá por um fio. O status do Wyatt em Silverburgh é intocável. Ele não precisa mais seguir os velhos métodos.”
“E claro, também é por sua causa. O Wyatt diz que sangue demais não faz bem pras moças verem. Ele tem medo que esse carma ruim um dia recaia sobre você, então mandou o pessoal dele começar a se endireitar. Mudar.”
“O Wyatt também disse que, se um dia tiver uma filha, quer que as pessoas digam: ‘Nossa, que menina de sorte, tem um pai tão bom’, e não que joguem ovos e xinguem ela por ter um pai canalha.”
Yunice ficou surpresa por um instante, depois caiu na risada. Virou um pouco a cabeça, a voz provocando. “E quem disse pra ele que vai ter uma filha?”
O careca não aguentava ouvir ninguém falando mal do Wyatt. Sem pensar, disparou: “O Wyatt é forte pra caramba! Se quiser, faz até dez! Claro que pode—”
No meio da frase, ele fechou a boca de repente, lançando um olhar nervoso pra expressão da Yunice.
Wyatt podia até ser uma máquina de fazer bebê, mas Yunice... não parecia do tipo que ia sossegar pra ter filhos.
Talvez o Wyatt realmente não fosse ganhar uma filha.
Imaginando como o Wyatt se iluminava sempre que falava em ter uma menininha, o careca ficou nervoso. “Que homem não quer uma filha? Senhora, a senhora é médica—por que não toma uns suplementos ou algo assim? Assim, quando chegar a hora, vai dar uma filha pro Wyatt.”

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