A Powell Corporation realizava auditorias e reuniões de acionistas anualmente. Quando chegasse esse momento, um rombo financeiro tão grande certamente viria à tona.
Faltavam apenas dois meses para a auditoria...
Paul sentiu um calafrio na nuca. Todo esse desastre cairia diretamente sobre seus ombros.
E isso nem era o pior — o mais grave era que a base da Powell Corporation havia sido corroída. Eles estavam prestes a enfrentar uma avalanche de processos judiciais e um buraco gigante no balanço financeiro.
Se não conseguissem lidar com a situação, a Powell Corporation cairia do círculo da elite do capital. Talvez até fosse à falência.
Naquela noite, Paul não teve coragem de voltar para casa.
Taylor ligou para Yunice e contou que Paul estava agindo de forma estranha.
Yunice achou que era hora de jogar mais lenha na fogueira. “Taylor, você não disse que queria se divorciar? Acho que essa é sua chance. Torne isso público. Diga que os investimentos não foram uma decisão conjunta do casal. Isso pode ajudar a reduzir a responsabilidade financeira que você terá que assumir. Mesmo que você acabe envolvida em processos depois, pelo menos terá a imagem de vítima — alguém com quem o público pode se solidarizar.”
De acordo com a lei matrimonial, decisões financeiras importantes, como grandes investimentos, exigiam o consentimento mútuo dos cônjuges, devidamente documentado por escrito para que ambos fossem responsabilizados.
Paul fez os investimentos às escondidas. Os lucros também não foram usados para despesas do casal. Como Taylor não assinou nada, ela tinha motivos para contestar qualquer responsabilidade compartilhada.
Mas as leis nem sempre eram confiáveis diante do poder e da influência. A verdadeira preocupação era se a família Powell recorreria a artimanhas e prolongaria tudo, fazendo Taylor sofrer.
Yunice havia provocado a crise financeira da família Powell. Ela não queria que Taylor fosse atingida no fogo cruzado.
Estava determinada a minimizar os danos colaterais que isso causaria a Taylor.
Taylor levou o conselho de Yunice a sério. Mas, após um momento de hesitação, revelou uma suspeita antiga. “Yunice, eu sei que você quer derrubar a família Powell. Então... isso foi seu plano?”
Se fosse, Yunice teria que ter um apoio poderoso. Não havia como ela sozinha causar uma rachadura tão grande nas defesas da Powell Corporation.
Yunice negou. “Não tive nada a ver com isso. Só ouvi falar por alguém. Recebi uma dica.
A Powell Corporation já fez tantas coisas duvidosas, criou tantos inimigos — há muita gente querendo vê-los cair. Não sou só eu.”
Taylor apertou os lábios. Não queria acreditar que Yunice fosse capaz de algo tão frio e calculista.
Ela gostava de Yunice — não queria vê-la corrompida por intrigas e vingança. Uma garota como Yunice deveria estar cercada de amor, alegre e despreocupada, longe de manipulações e jogos mentais.
Yunice sorriu. “Sério, não fui eu.”
Taylor suspirou. “Tudo bem. Vou tomar cuidado.”
Depois de desligar, Yunice voltou sua atenção para as aulas da tarde.
Já não havia muitas pessoas no campo de ervas. O canteiro de Yunice já estava livre de ervas daninhas. Mas as mudas que Wyatt arrancou por engano — embora replantadas — tiveram as raízes danificadas. Depois de um dia e uma noite, ainda não haviam se recuperado. Estavam murchas, parecendo que iam morrer.

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