Yunice percebeu que o motociclista estava certo — se ela chamasse a polícia agora, Owen não teria tempo suficiente para encobrir seus rastros. Isso significava que Owen, Timothy e Peggy seriam todos expostos e punidos como mereciam.
Ela deveria denunciá-los? Deveria pôr fim ao ciclo de vingança que há tanto tempo assombrava a família Saunders?
Um zumbido alto preencheu sua cabeça por vários segundos. Só voltou à realidade quando o motociclista chamou seu nome novamente, a voz soando mais próxima pelo telefone.
“Não. Não chame a polícia”, disse ela com firmeza.
A voz de Yunice tremia levemente. “Se eu fizer isso agora, o que acontece com Timothy? Ele é um comprador — sem estudo, miserável. Lá nas montanhas, ele pagou três mil dólares para comprar Lily… e junto com ela, ficou com Elsie. Ele até tirou a vida do meu pai.”
Ela continuou: “Mas quando Lily foi resgatada, Timothy não sofreu nenhuma consequência. Em vez disso, Owen lhe pagou trinta mil dólares só para que ele aceitasse entregar Elsie. A lei não pune pessoas como ele.”
Hoje, Timothy invadiu a casa dos Saunders, extorquiu Owen, fez um escândalo. Mesmo que ela denunciasse, qualquer punição que ele recebesse jamais seria proporcional aos seus crimes.
Eles não mereciam uma saída fácil.
O motociclista hesitou. “Tem certeza? Se isso continuar, Owen e Timothy vão arder juntos no inferno.”
Ele estava preocupado com ela — temia que Yunice se arrependesse. Afinal, Owen era seu irmão.
Yunice ficou em silêncio por alguns segundos. Então, com uma voz fria e baixa, disse: “Essa é a escolha deles. Não vou interferir no destino deles. Sou apenas uma espectadora.”
Sim. Ela nunca tentou ferir ninguém. Foram os monstros dentro deles que trouxeram tudo até aqui. Não era culpa dela.
Ela desligou. O telefone escorregou de sua mão e caiu na cama.
Algo dentro dela fervia. Ela agarrou os próprios cabelos, sem saber ao certo o que sentia.
Aquilo a enjoava. Dava-lhe náuseas.
Cambaleou para fora do beliche e correu para o banheiro. Caiu de joelhos e vomitou no vaso sanitário.
“Pai… todos nós da família Saunders… nenhum de nós é mais inocente…”
Owen. Ela mesma. Nenhum deles era mais aquela criança pura de antes. Haviam sido envenenados — corrompidos por pensamentos cruéis e venenos, todos voltados uns contra os outros.
Ela não sabia se o que fez era certo. Mas se não fizesse, não conseguiria viver consigo mesma.
Então vou para o inferno junto com Owen, pensou, desde que Oscar fique fora disso.
“Yunice, você está bem?” Jennie e Lena bateram na porta do banheiro. “Está passando mal por causa da altitude? Temos remédio, se precisar. Todas nós sentimos isso quando chegamos.”
Yunice lavou o rosto devagar e saiu, forçando um pequeno sorriso. “Estou bem.”

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