Elianna estava bem desapontada com Wyatt. Desde que percebeu que ele estava envolvendo duas mulheres ao mesmo tempo, a imagem dele em seu coração despencou dos céus.
Ela andava de um lado para o outro em seu quarto, inquieta, e então pegou o retrato do pai, limpando-o cuidadosamente mais uma vez.
Embora ele tivesse falecido há três anos, a moldura estava impecável. Era sua âncora espiritual.
Enquanto resmungava baixinho para a foto do pai, alguém bateu na porta.
Pensando se tratar de uma empregada trazendo o almoço, Elianna nem olhou para cima. “Entre.”
A maçaneta girou, e Yunice entrou no quarto.
Vendo Elianna de costas, ela parou à distância e disse: “Elianna.”
A garota se assustou e se virou. “O que está fazendo aqui?”
Assustada, ela se levantou, e o retrato em suas mãos escorregou e caiu no chão.
Yunice se moveu rapidamente para pegá-lo. Mas quando seus olhos pousaram na foto, ela congelou.
Elianna voltou a si e puxou o retrato de sua mão. “O que está fazendo com a foto do meu pai?”
Yunice deu uma leve risada. “O que eu poderia fazer com uma foto?”
Ela a encarou. “Esse é o seu pai?”
Havia algo estranho nos olhos de Yunice, algo que Elianna não conseguia decifrar.
Franzindo a testa, ela não respondeu, mantendo-se alerta.
A voz de Yunice se suavizou, com um leve tom de alegria. “Seu pai salvou minha vida há quatro anos atrás. Ainda me lembro dele. Deixou o casaco no meu carro... Eu o mantive na lavanderia esse tempo todo e sempre quis devolvê-lo, junto com o telefone…”
As palavras falharam.
Aquela era uma foto memorial.
O pai de Elianna já havia partido. Ele morreu no acidente na siderúrgica, sacrificando-se para evitar uma catástrofe e salvar centenas de trabalhadores.
O homem que Yunice tanto queria agradecer… Havia partido silenciosamente.
Sua garganta apertou. Quando olhou novamente para Elianna, seu olhar estava cheio de reverência, como se visse uma relíquia preciosa de alguém insubstituível.
Ela ficou arrepiada e gritou: “Que olhar é esse? E quando meu pai te salvou? Para de tentar me manipular, não vou cair nessa! Não me importo com você e o Wyatt. Me deixe fora disso!”
Tentando provar sua sinceridade, Yunice continuou: “Naquela época, seu pai dirigia um carro vermelho. A placa tinha todos os números iguais...”
Elianna zombou. “Esse é o carro do Wyatt. Qualquer um sabe disso. Meu pai era motorista dele. Claro que você saberia a placa.”

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