No hospital, Yunice segurava as duas caixas de madeira nos braços enquanto Wyatt estava ao lado dela, mãos enfiadas nos bolsos, o rosto ainda frio.
Yunice esperava que ele falasse.
Wyatt esperava que ela falasse primeiro.
Vários minutos se passaram, até que Wyatt, impaciente como sempre, quebrou o silêncio, resmungando: “Você queria chifre de rinoceronte. Por que não pediu diretamente a mim? Por que ir atrás do Victor?”
Yunice respondeu, em voz baixa: “Eu pedi…”
Ele tinha dito que não tinha, não foi?
Wyatt retrucou: “Sim, você pediu. Mas eu disse em algum momento que não conseguiria para você?”
Yunice franziu a testa. “Quando alguém está doente, cada segundo conta. Eu não tinha tempo para ficar esperando uma surpresa.”
Claro, ele não tinha dito não, mas também não tinha dito sim. Então como ela poderia ficar ali esperando por uma promessa que nunca existiu?
Wyatt fez uma pausa, perdendo o ímpeto.
“Não achei que conseguiria”, murmurou. “Por isso não prometi. Mas não significa que não estava tentando.”
Yunice ficou confusa. Aquele chifre de rinoceronte... Ele não tinha conseguido no leilão beneficente?
Wyatt não tinha falta de dinheiro. Deveria ser tão simples quanto levantar a mão.
E ele já o tinha algum tempo.
Victor, por outro lado, devia ter se esforçado muito mais.
Ela ergueu o olhar, captando um lampejo na expressão de Wyatt.
Os dois tinham se esforçado para lhe trazer o mesmo presente raro.
Se continuasse emburrada, pareceria ingrata.
Então Yunice suavizou o tom, oferecendo uma forma de aliviar a tensão. “Você pode segurar uma das caixas para mim? Meu pulso está doendo muito… Acho que torci no acidente.”
Ao ouvir isso, um traço de culpa passou pelos olhos de Wyatt. Ele pegou as duas caixas dos braços dela, acomodou-as sob um braço e, com a outra mão, segurou gentilmente o pulso dela, massageando-o de leve. “Ainda dói? Talvez seja melhor verificar de novo.”
Yunice balançou a cabeça, levemente. “Não dói… Não se você parar de brigar comigo.”
Wyatt congelou. Ele ergueu o olhar lentamente para ela, claramente pego de surpresa com a frase.
Os dois se encararam por alguns segundos, e ele pareceu… Desconcertado. Até sua postura ficou rígida.
Ouvi-la falar de forma tão suave o fez se sentir um completo id*ota.
Ele desviou o olhar e disse, meio sem jeito: “Não estava brigando com você. O que eu quero dizer é que, se surgir qualquer coisa, eu resolvo. Mas quando pede ajuda ao Victor, seja o que for, se ele te ajuda, fica devendo um favor, certo?”

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