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A Filha Invisível romance Capítulo 405

Como médica, Yunice já havia presenciado inúmeros momentos como este. Ela então ergueu o celular para o Sr. Gerardo. “Fique sentado. Se tiver algo a dizer, diga agora. Vou passar para Taylor.”

Mas era como se ele não conseguisse ouvi-la. Os seus olhos estavam vazios, o seu corpo rígido enquanto ele dava um passo à frente, estendendo as duas mãos em sua direção. “Taylor... Querida... Onde você está... Por que não vem me levar para casa... Taylor, é você? Leve-me para casa... Sinto falta da sua mãe... Deixe-me ir para casa! Faz tanto tempo que não cozinho para ela...”

Yunice não conseguiu mais se conter. Por que pessoas boas nunca parecem ter finais felizes? Quanto melhor a família, maior era o sofrimento. O seu próprio pai passou pela mesma situação. Tão gentil e, ainda assim, partiu cedo demais. Mas outro pensamento além da tristeza rapidamente a trouxe de volta ao presente.

O Sr. Gerardo — pego em um momento de lucidez antes da morte — estava saindo da zona de contenção! Isso não poderia acontecer. Quando um paciente perdia a capacidade de pensar com clareza, representava um grave risco de exposição para a equipe médica.

Yunice rapidamente largou o telefone e tentou convencê-lo a voltar para a cama. Todavia, ele não conseguia mais processar as palavras dela. A sua mente já estava perdida. Em pânico, ela olhou ao redor. Sem outra escolha, arrancou o plástico da cama e jogou sobre ele.

Envolto no plástico, o Sr. Gerardo começou a se debater violentamente. “Para casa... Quero ir para casa! Taylor! Ajude o seu pai! Taylor!” Ele era alto e, embora a doença tivesse debilitado o seu corpo, a repentina onda de força vinda de seu último momento de vida o tornou quase incontrolável. Que coisa assustadora é morrer com um amor inacabado.

Yunice cerrou os dentes, tentando segurá-lo, mas não conseguiu, pois os braços agitados dele quase rasgaram o equipamento de proteção dela.

Assim que ela chegou ao limite, alguém de repente correu por trás dela, pegou outra folha de plástico e a enrolou nos braços do Sr. Gerardo, envolvendo-o completamente. Dessa forma, ele estava contido, preso no casulo de plástico apesar de ainda debater-se. Enfim, depois que a agitação passou, ele olhou fixamente para frente — e então caiu para trás, com os olhos arregalados.

Yunice ficou paralisada, olhando fixamente para a pessoa que ainda segurava o paciente – agora morto.

Era Owen, que havia usado cada gota de força. As suas veias da testa estavam saltadas. Afinal, cadáveres eram pesados, e um homem não conseguia carregar um sozinho. Mas Owen cerrou os dentes, levantando e arrastando o Sr. Gerardo de volta para a cama, envolvendo-o firmemente no plástico. Então ele se virou e olhou para Yunice, observando o seu traje de proteção. “Você foi exposta?” A sua voz expressava certa preocupação.

Yunice olhou para o corpo na cama — para os olhos sem vida do Sr. Gerardo fixos na porta — e balançou a cabeça em silêncio. “Acho que não.”

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