POV de Terceira Pessoa
As lágrimas da Matriarca Duskgrave mal tinham secado quando ela se firmou, inalando o forte cheiro de linhagem que se agarrava à criança em seus braços. Sua voz, embora suavizada com ternura, ainda carregava o aço Alfa que uma vez comandara os guerreiros de Stormridge.
“Pequenina, qual é o seu nome?” ela perguntou gentilmente, afastando uma mecha de cabelo emaranhado da bochecha da menina.
O rosto da criança se iluminou com um sorriso brilhante. Sua voz ressoou, doce mas cortante como uma lâmina:
“Meu nome é Cachorra.”
O ar na sala baixou dez graus. Cada lobo presente se enrijeceu. Até as chamas na lareira pareciam vacilar.
O olhar da Matriarca escureceu, a fúria piscando em seus olhos. Sua mandíbula se contraiu com força suficiente para que seu lobo se agitasse sob sua pele enrugada. Ela ansiava por caçar quem quer que tivesse ousado marcar o sangue de Riley com tal veneno. Seus dedos se fecharam em punhos trêmulos - mas quando olhou para o rosto inocente da menina, sua raiva se despedaçou contra o coração de avó. Ela forçou sua voz a suavidade.
“Não, filhote. Esse não é o seu nome. Isso não é o que você é. Bisavó lhe dará um novo, um nome digno do que você é. Você gostaria disso?”
A menininha bateu palmas, sua alegria borbulhando apesar do peso na sala. “Sim! Sim!”
A Matriarca virou a cabeça para Lucien Duskgrave, o Príncipe Alfa de Stormridge, buscando sua palavra. Seus olhos dourados se suavizaram, embora o pesar ainda sombreasse seu rosto. Ele viu o sorriso de Riley nos lábios da criança, seu fogo na teimosia do queixo. O lobo nele ronronou de saudade, e de pesar.
Depois de um momento de silêncio, ele falou, sua voz rica de memórias. “Aurora. Ela será Aurora Duskgrave.”
O nome foi escolhido a partir da medula de sua alma. Era seu luto por Riley, sua promessa de que a filha deles carregaria a luz da aurora mesmo após a noite mais longa.
Os lábios da Matriarca tremeram ao repeti-lo, testando o peso do destino. “Aurora… Rory, minha preciosidade. Você gosta?”
A criança assentiu vigorosamente, os olhos se enrugando em luas crescentes. “Eu gosto de Aurora! É melhor do que Cachorra. Parece as estrelas.” Ela sorriu, mostrando dentes brancos como leite.
Um alívio varreu a sala como um vento purificador. Mas por trás de cada sorriso pairava a tristeza e a raiva. Quanto Riley havia sofrido, e quanto de crueldade sua filha havia suportado para aceitar tal nome?
A partir daquele dia, a Mansão Stormridge floresceu de novo. A presença de Aurora era como a chuva fresca da primavera, agitando a vida onde o desespero tinha se instalado. A Matriarca dedicou seus dias a ensinar a filhote letras e antigas histórias da alcateia. A Sra. Beck encheu as cozinhas com o cheiro de carnes assadas e doces, mimando Aurora até que sua silhueta antes magra se arredondasse com peso saudável.
E Lucien - Príncipe Alfa, lobo forjado em batalha, marcado pela perda - curou de maneiras que ele nunca pensou serem possíveis. Ele voltou às suas funções com a Alcateia Stormridge e suas alianças, mas não importava o quão tarde as reuniões se estendessem, ele sempre voltava para casa a tempo de colocar Aurora na cama. Ele contava histórias de lobos sob a lua, da coragem de Riley, do vínculo que o sangue nunca poderia romper. Ele a levava para passear nos jardins sob a luz das estrelas, ensinando-a a respirar o ar noturno como um lobo em patrulha.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Filha da Alcateia (Aysel)
Comprei moedas e os Capítulos a partir do 96 não foram desbloqueados, site ruim....