O rosto da mulher se contorceu em algo grotesco quando a dor rasgou sua barriga. “Você… você ousa me matar?” ela crocitou, sua voz quebrada, tremendo de puro terror.
Os olhos escuros e amplos de Carmen piscaram inocentemente, quase como um cervo. Ela parecia, por um breve segundo, como uma garota inofensiva brincando de rebelião - frágil, inofensiva, um coelho tremendo em uma toca de lobos.
“Sim”, ela respondeu suavemente, quase docemente. “Por que não? Já matei seis. Mais um não faz diferença. E você… você cometeu o erro de machucar a criança da pessoa que eu mais amo.”
Sua voz flutuava como fumaça, enganosamente leve. Mas para a mulher contorcendo-se no chão, era o sussurro de um demônio se aproximando de seu ouvido.
O sangue escorria entre seus dedos enquanto ela agarrava a ferida, suas costas curvadas pelo peso da agonia. “Por favor”, ela arquejou, a desesperação rachando seu tom. “Pare. Meu filho - ele tem apenas um ano. Ele é muito jovem para viver sem a mãe.”
Mas a faca de Carmen nunca parou. Seu pulso torceu cruelmente, a lâmina penetrando mais fundo, mexendo nos órgãos com uma precisão repugnante. O grito da mulher rasgou a noite como uma besta encurralada.
Os olhos de Carmen se endureceram como aço. “Seu filho é pequeno? E a criança de Riley é maior? Você me pede misericórdia quando não mostrou nenhuma? Não. O único equilíbrio é sangue por sangue.”
A mulher se debatia, soluçando, suas súplicas se transformando em loucura. “Não me mate! Eu estava errada, me arrependerei! Nunca mais a machucarei - a criarei como minha própria, eu juro!”
As palavras - “criarei como minha própria” - poderiam ter significado salvação para outra pessoa. Mas um deslize de língua destruiu sua última chance.
“Você ousa chamá-la assim de novo?” Carmen rosnou, os olhos brilhando de vermelho.
As palavras “Filha da cadela” pairaram no ar como veneno. Elas tocaram o lobo de Carmen como o fogo toca a lenha seca. Em um acesso de fúria, ela arrancou a lâmina e cortou para cima, cortando fundo na garganta da mulher.
O sangue jorrou quente e violento. A mulher desabou como um muro derrubado, o corpo se contorcendo enquanto sua respiração se transformava em um gorgolejo molhado. Seus olhos saltaram, selvagens com a fome primal de viver. Mas nenhum lobo, nenhum espírito, nenhum instinto materno poderia salvá-la de se afogar em seu próprio sangue.
Ela morreu ali, de olhos arregalados e tremendo, o último suspiro derramando-se de forma rubra na terra.
A adaga de Carmen pingava um fio escarlate que cintilava na luz moribunda. Ela a limpou preguiçosamente no vestido do cadáver antes de erguer o olhar para a pequena criança encolhida na poeira.
A mudança nela foi instantânea - onde momentos antes ela tinha sido uma executora Alpha ensanguentada, agora seu lobo amoleceu, o ar predatório caindo como uma pele descartada. Seus olhos se aqueceram, e quando ela falou, sua voz era mais suave do que o vento da primavera.
“Pequena”, sussurrou Carmen, agachando-se. “Não tenha medo. Ninguém nunca mais vai te machucar.”



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Filha da Alcateia (Aysel)
Comprei moedas e os Capítulos a partir do 96 não foram desbloqueados, site ruim....