Já se passara um mês desde que Riley fora levada deles.
Naquela alvorada sombria, a matilha se reuniu em silêncio enquanto seu corpo era levado em direção à Pira Sob a Lua. Carmen lembrava-se de como Lucien havia lutado, como seus rosnados haviam abalado a terra, como até Duke e Caelum Knox haviam lutado para contê-lo. Mas a tradição era mais forte do que mesmo o luto de um Alfa. Por lei, por sangue, por juramento à Lua, os mortos pertenciam a Ela.
E assim, com os corações partidos, eles haviam deixado Riley partir.
De longe, eles viram - o leve cacho de fumaça subindo acima das árvores, flutuando para cima no céu cinzento. Era o sinal, os anciãos haviam dito. A Lua havia reclamado Riley. Seu espírito agora corria sob a luz prateada eterna, finalmente livre da dor mortal.
Mas a fumaça não trouxe paz.
A casa Duskgrave se trancou no luto, sua vila de montanha em Stormridge envolta em silêncio. A Sra. Beck chorava todas as noites, sua voz rouca de chamar o nome de Riley. A Matriarca Duskgrave não usara suas joias desde aquele dia, seu cabelo desalinhado, seu sorriso outrora orgulhoso murchado. E Lucien - Príncipe Alfa de Stormridge, herdeiro de uma das linhagens mais antigas - desapareceu em seus aposentos. Ele não havia saído de seu quarto desde o funeral. Seu lobo vagava incessantemente dentro dele, inquieto e ferido, seus uivos ecoando pelos corredores de pedra à noite como um uivo fantasmagórico.
Carmen sabia. Ela o ouvira, todas as vezes. Seu tormento se entranhava em seus próprios ossos.
Mas Carmen não era como os Duskgraves. Ela não podia ficar parada, afogada em tristeza. Ela tinha trabalho a fazer.
Agora, um mês depois, a luz do sol inundava as altas janelas da residência de Duke, derramando-se sobre o sofá onde Carmen estava sentada. Os raios dourados tocavam sua pele, pintando-a com um brilho frágil como um véu de seda tecida. Para qualquer olhar de passagem, ela poderia parecer em paz, seu rosto aquecido por um leve rubor, seu corpo restaurado das sombras do desespero.
Apenas Carmen sabia o quão falsa era aquela imagem.
Ela passara o último mês sob o teto de Duke, recusando-se a voltar para a Academia Ashmoor. Duke, sempre vigilante, a acolhera sem hesitação. Ele a alimentava, cuidava dela, até a mantinha distraída com confortos intermináveis. No início, seu corpo estava tão frágil que mal conseguia ficar de pé. Agora, sua força havia retornado, e com ela, o fogo em seu sangue.
A voz de Duke ecoou da cozinha, calorosa e firme. “Carmen, o almoço está pronto.”
Ela virou a cabeça, observando-o emergir com mãos cuidadosas, colocando prato após prato sobre a mesa. Seu olhar suavizou quando pousou sobre ela, carregado de afeto, de alívio.
“Venha, coma.”
Carmen se levantou silenciosamente e juntou-se a ele à mesa. Ela comeu em silêncio, seus movimentos lentos, deliberados. Os olhos de Duke permaneceram nela com devoção silenciosa, e quando ele percebeu seu prato vazio, inclinou-se para colocar mais comida em seu prato.
Por um momento, poderia parecer uma tarde comum entre duas pessoas ligadas pela companhia.
Mas sob a superfície, a verdade era mais sombria.
“Duke,” Carmen disse subitamente, sua voz cortando o silêncio.
Ele congelou, os pauzinhos suspensos no ar. “O que foi?”



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Filha da Alcateia (Aysel)
Comprei moedas e os Capítulos a partir do 96 não foram desbloqueados, site ruim....