Ponto de vista de Riley
Dor.
Isso foi a primeira coisa que senti quando a consciência me arrancou do vazio. A anestesia havia passado, deixando apenas a agonia crua e penetrante que irradiava do meu lado. Meu novo rim - meu próprio rim, devolvido a mim - queimava como fogo sob minha pele. Cada respiração parecia engolir facas, e um suor frio me cobria, encharcando a fina camisa que grudava em meu corpo.
Forcei meus olhos a se abrirem.
Escuridão.
Não a névoa fraca do anoitecer, não a sombra das cortinas do hospital, mas um preto sufocante e não natural. O pânico se agitou em meu peito até que ouvi o som áspero do tecido se movendo.
Com um áspero “whrrp”, a pesada cortina foi puxada para longe.
A luz inundou, queimando minha visão. E lá estava ela.
Selene Ashford.
Seu sorriso era uma paródia distorcida de graça, afiado como uma presa. Ela se inclinou para a frente, diversão e malícia se misturando em sua expressão. “Riley Vale,” ela falou arrastado, saboreando meu nome como veneno em sua língua, “me diga - como é viver como um vira-lata em um canil?”
Sua voz se arrastava ao meu redor, zombeteira, cruel.
Ela começou a circular a jaula de ferro que me confinava, seus saltos batendo no chão com um ritmo predatório. “Tsk, tsk. Quem poderia imaginar que a prometida de Lucien Duskgrave, Príncipe Alpha da Matilha de Stormridge, um dia seria reduzida a isso? Uma cadela em uma jaula.” Sua risada cortou o ar, aguda e irritante.
As palavras teriam dilacerado qualquer outra pessoa.
Mas eu já havia aprendido há muito tempo o que significava ser espancada, faminta, enjaulada, despojada de dignidade. Insultos escorregavam de mim como chuva de um casaco de lobo. Eu já havia sido transformada em presa tantas vezes que a zombaria não me perfurava mais.
Então eu me sentei na jaula, com as costas retas apesar da dor em meu lado, e a encarei com um olhar firme. Meu silêncio era minha resposta. Meus olhos lhe diziam a verdade: ela não passava de uma palhaça para mim. Uma loba uivando para o vazio, desesperada por atenção.
Minha calma só aumentou sua raiva.
Selene cuspiu maldições, sua voz subindo mais a cada respiração. Ela circulava, andando como um predador inquieto. Dez minutos, talvez mais - sua voz rachou, sua garganta ardeu, mas ela continuou sua fúria.
Eu não lhe dei a satisfação de uma única palavra.
Quando finalmente ela vacilou, com os lábios secos e sua fúria gasta, deixei minhas próprias palavras escaparem, baixas e frias. “Você terminou?”


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Filha da Alcateia (Aysel)
Comprei moedas e os Capítulos a partir do 96 não foram desbloqueados, site ruim....