POV de Terceira Pessoa
A voz de Zara tremia com uma tristeza tão profunda que rachava sua alma.
“O que eu fiz para merecer isso?” ela chorou roucamente. “Trinta anos, Alaric. Trinta anos sendo sua companheira - isso não significou nada para você?”
Alaric Vale mal conseguia se proteger de sua fúria. Suas pernas, ainda quebradas e fracas da surra selvagem que havia recebido dias atrás de Duke, ainda não tinham se curado.
Essa era a maldição.
Desde a briga com Duke, Alaric não conseguia mais se transformar em lobo. Algo havia se quebrado dentro dele naquela noite - não apenas ossos, mas o frágil elo com sua besta. Se fosse a força brutal dos ferimentos, um contra-ataque de um feitiço lançado durante a briga, ou um sinal de que seu lobo havia começado a rejeitá-lo após anos de traição e corrupção moral - ele não sabia. Tudo o que sabia era que, quando buscava internamente agora, só havia silêncio. Sua cura havia desacelerado a um rastejar, não melhor do que a de um humano.
Para um lobisomem que uma vez exercia poder com impunidade, era uma fraqueza aterrorizante.
Agora, enfrentando uma tempestade de raiva da companheira que ele havia traído além da redenção, ele só podia se debater, impotente e encurralado.
“Zara, chega!” ele engasgou, os braços agitando desajeitadamente no ar enquanto suas unhas rasgavam seu rosto.
Mas ela não parou.
O fogo em seus olhos se tornara um inferno consumidor.
Ela avançou, seus dedos se fechando em torno de sua garganta como armadilhas de aço.
“Você não tem o direito de viver depois do que fez! Você é um monstro!” O corpo inteiro de Zara tremia de ódio. Suas garras se aprofundaram, seus olhos brilhando com energia selvagem, não mais a companheira que ele uma vez controlou - mas uma loba mãe impulsionada pela vingança.
Alaric ofegou, seus olhos revirando, os lábios ficando azuis. Sua língua pendia da boca enquanto seus braços se debatiam no ar. O oxigênio fugia de seu corpo a cada segundo que ela o segurava, e o pânico torcia seu corpo como um animal moribundo.
Fora da sala do hospital, Riley ficou em silêncio, observando o caos se desenrolar através do vidro.
Ela nunca tinha visto sua mãe assim.
Ela havia assumido que Zara, quebrada como estava, escolheria o silêncio, ou a retirada. Que ela choraria atrás de portas fechadas, orgulhosa demais para causar um escândalo.
Mas agora ela entendia.
Não havia mais perdão em Zara - apenas fúria justa.
Os lábios de Riley se curvaram em um sorriso frio. Só quando a lâmina cortava sua própria carne é que você entendia a dor. E agora, finalmente, Zara entendia.
Dentro, o rosto de Zara se contorceu em angústia. Suas mãos tremiam, mas seu aperto permanecia forte como ferro em torno da garganta de Alaric.
Seu mundo havia se desmoronado em ruínas.
Ela nunca se importou com dinheiro - sempre teve muito. Mas o que ela mais valorizava era lealdade, amor, sua família.
E Alaric havia destruído tudo isso.
Seu pai? Envenenado por Alaric.
Seu filho Kael? Falsamente acusado e trancado, a chave jogada no abismo.
Sua filha Riley? Abandonada, não amada, substituída por uma criança que não era sua.
Seu próprio corpo? Explorado - violado - seu rim roubado, para o bastardo de Alaric.
Os gritos de Zara rasgaram o ar estéril enquanto ela apertava mais forte.
A visão de Alaric escureceu. Seu corpo convulsionou violentamente, e ele tateou cegamente ao redor do criado-mudo - desesperado por algo, qualquer coisa.
Seus dedos tocaram metal.
Uma faca de frutas.
Impulsionado pela sobrevivência primal, ele não pensou. Apenas mergulhou a lâmina para a frente.
Um shhk úmido e repugnante encheu o ar.
E Zara?
Ela estava acabada.
Ele limpou o sangue de sua boca e abriu sua pedra de comunicação.
“Alô?” ele disse quando a ligação se conectou. “Elira - venha para o meu quarto. Agora.”
Sua voz era casual, quase entediada.
“Aquela vadia da Zara descobriu sobre nós,” ele continuou, os lábios se curvando com nojo. “Ela tentou me matar. Eu a esfaqueei no olho. Traga alguém para tirá-la daqui - não quero vê-la. Coisa nojenta.”
As palavras saíram de sua boca sem pausa.
Mas do outro lado do quarto, Zara ouviu cada palavra.
Contorcendo-se no chão, cega de um lado, ela o encarou com ódio, o único olho que lhe restava queimando com uma raiva tão intensa que fez o ar parecer mais frio.
Sua voz mal passava de um sussurro, mas carregava o peso de uma maldição.
“Alaric Vale… você morrerá em agonia.”
Alaric riu.
Ele jogou a cabeça para trás e uivou com crueldade, o som agudo, desumano. Seu rosto ensanguentado se contorceu em algo que lembrava alegria.
“Morrer?” ele zombou. “Vadia, se não fossem suas ações no conselho da matilha e o pouco nome que ainda tem, acha que eu teria deixado você viver tanto tempo?”
Ele cuspiu no chão, sangue se misturando com saliva.
“Você era apenas um meio para um fim.”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Filha da Alcateia (Aysel)
Comprei moedas e os Capítulos a partir do 96 não foram desbloqueados, site ruim....