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A Filha da Alcateia (Aysel) romance Capítulo 489

POV de Terceira Pessoa

A caminho do Centro Médico Mooncrest, Riley se viu incapaz de se acalmar.

Imagens do rosto de Zara se repetiam em sua mente - como a orgulhosa Luna da Alcateia Ebonclaw reagiria ao enfrentar a verdade? A mulher que uma vez governou as terras da alcateia com graça e poder, que acreditava ser abençoada pela Deusa da Lua, finalmente veria que não passava de uma marionete no jogo meticulosamente elaborado por Alabic.

Riley não veio apenas para confrontar o passado, mas para garantir que Zara entendesse cada mentira que ela havia engolido e cada traição que havia suportado. Ela queria que Zara sentisse a mesma impotência e dor que ela sentiu um dia - a agonia da confiança despedaçada pela decepção.

Ao chegar ao hospital, Riley respirou fundo e controlou suas emoções. Seus passos eram firmes e decididos enquanto ela se dirigia à sala de Zara, o corredor ecoando com o som de sua determinação.

Ela empurrou a porta, e o que encontrou foi muito diferente da poderosa Luna do passado.

Zara, a outrora majestosa matrona sempre vestida com elegância, agora parecia uma flor murcha - pálida, com olhos ocos e desprovida de sua presença imponente. Suas pernas estavam engessadas, e sua aura estava apagada. A Luna havia sido reduzida a uma paciente frágil e enjaulada.

Ela já havia aprendido com sua assistente que tanto Scarlett quanto Kael - sua “amada” filha e herdeira - haviam sido presos. A notícia a deixou em frenesi, mas seus ferimentos a tornaram impotente, incapaz de sair de seu quarto, sua frustração aumentando como uma tempestade atrás de suas costelas.

E então Riley entrou.

No momento em que os olhos de Zara encontraram os de Riley, uma chama de ódio se acendeu. Para ela, a garota diante dela era a raiz de tudo. Suas pernas quebradas, seus filhos na prisão, seu nome desmoronando - tudo era culpa de Riley.

Zara se debatia na cama, a fúria em seus ossos a impulsionando como um incêndio. “Sua pequena malvada!” ela gritou roucamente. “Eu deveria ter deixado os Renegados te despedaçarem quando tiveram a chance! Se algo acontecer com Scarlett ou Maddox, eu mesma te arrastarei para o inferno!”

Mas Riley, acostumada a tal veneno, não recuou. Sua expressão era neutra, seus olhos dourados calmos e indecifráveis, como a superfície quieta de um lago escondendo a escuridão por baixo. Ela ficou à distância, com os braços cruzados, deixando Zara se esgotar.

Por quase uma hora, Zara rugiu, amaldiçoou e soluçou. Mas Riley permaneceu imóvel, uma estátua inabalável, deixando-a se afogar em sua própria amargura.

Finalmente, Zara desabou contra a cama, ofegante, sua força esgotada.

Somente então Riley falou, sua voz suave, zombeteira.

“Luna Zara,” ela disse friamente, “trouxe algo… interessante. Gostaria de dar uma olhada?”

Com isso, ela colocou um arquivo grosso na beira da cama do hospital.

Zara agarrou-o com mãos trêmulas, pretendendo rasgá-lo sem ler uma palavra.

Até Scarlett, a garota que ela criara e adorara, não era sua por sangue. Ela era filha de Elira Blackthorn - a diretora do Hospital Mooncrest - e de Alabic. Enviada a Zara por uma suposta Vidente, que afirmava que a criança curaria seu coração partido.

Que profecia cruel. Que mentira devastadora.

Agora, cada peça se encaixava. O desaparecimento de Riley. A morte misteriosa de seu pai apenas dias após seu nascimento. A maneira como Alabic assumiu o controle da alcateia e apagou todo vestígio do poder de Zara, enquanto ela derramava sua alma em criar o filho de outra pessoa.

Através de tudo isso, Zara se agarrou à sua fé em Alabic, até mesmo se convencendo de que a maternidade poderia apagar as rachaduras se formando ao redor de seu coração.

Agora, seu mundo desabara.

Os olhos outrora orgulhosos de Zara se nublaram de descrença. Ela encarou Riley, que permanecia como uma sombra do passado, imóvel diante do caos.

E Riley?

Riley esperou muito tempo por isso.

Isso era apenas o começo.

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