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A Filha da Alcateia (Aysel) romance Capítulo 477

POV de Terceira Pessoa

Carmen havia vivido a ruína de Riley. Ela tinha visto a luz desaparecer dos olhos de sua irmã depois que o Alpha Alaric e sua família a despedaçaram pedaço por pedaço. Carmen não era mais a mesma garota que havia sido no ensino médio.

Ela se tornara algo novo - algo afiado, vingativo e pronto para atacar.

Carmen ficou contra a parede de concreto gelada do corredor, braços cruzados, esperando.

Ela não precisava ouvir o que estavam fazendo lá dentro.

Ela já sabia.

Dez minutos se passaram.

Tempo suficiente.

Sua escova de dentes tinha sido enfiada fundo no vaso sanitário do dormitório, suas cerdas raspando a borda enquanto uma das meninas ria. Sua toalha tinha sido arrastada pelo chão do banheiro e usada para limpar água suja. Seu xampu e sabonete líquido tinham sido contaminados com água do vaso sanitário - novamente.

“Quase terminado. Vamos limpar e ir para o refeitório”, uma das meninas cantarolou.

Então veio o som que congelou todos os músculos da sala.

Clique.

A porta do dormitório se abriu lentamente, e um silêncio repentino e mortal cobriu o ar dentro.

Carmen ficou na porta, uma mão ainda na maçaneta, um sorriso torto brincando em seus lábios. Ela se apoiou casualmente no batente, os olhos vasculhando os destroços de suas coisas.

“Bem”, ela disse suavemente, a voz como veludo sobre uma lâmina. “Vocês três parecem estar se divertindo muito.”

As três meninas dentro da sala ficaram congeladas. Sua maquiagem perfeita parecia rachar junto com sua coragem. O sangue drenou de seus rostos.

Carmen entrou na sala.

E trancou a porta atrás dela com um clique lento e deliberado.

O pânico brilhou em seus olhos como um raio em uma tempestade.

“V-você voltou cedo?”, uma delas gaguejou, os lábios tremendo sob camadas de batom brilhante. “Nós-nós estávamos apenas arrumando um pouco para você-”

Carmen riu.

O som era frágil, afiado e arrepiante. Cortou o silêncio como o estalo de um galho congelado no auge do inverno.

Seus olhos de flor de pêssego cintilavam com uma espécie de loucura silenciosa.

“Oh? Se vocês gostaram tanto dos meus produtos de higiene, vocês só precisavam pedir.” Sua voz era leve, quase gentil - mas por baixo dela pulsava um poder que fazia as paredes parecerem se fechar. “Agora são seus.”

As meninas se mexeram inquietas. Elas não conseguiam ler ela. Elas não sabiam o que viria a seguir. E isso as aterrorizava mais do que qualquer ameaça direta.

Então Carmen levantou a mão e apontou diretamente para a porta do banheiro.

“Dentro. Todas vocês.”

Sua voz caiu como gelo.

“Quero ver vocês usarem tudo. Escova de dentes. Xampu. Sabonete líquido. Toalha. Tudo. Enquanto eu assisto.”

Seus lábios tremeram. “N-não… podemos usar os nossos, realmente-”

O sorriso desapareceu do rosto de Carmen.

O que o substituiu foi puro gelo.

“Eu não estava pedindo.”

Apenas controle.

“Boas meninas”, ela disse por fim. “Agora nós nos entendemos.”

Porque essa é a verdade, não é?

As cobras precisavam de presas.

Não para atacar, mas para sobreviver.

Porque não importa o quanto você se encolha, implore ou se esconda - sempre haverá alguém esperando para atacar primeiro.

E Carmen?

Ela preferia ser a primeira a morder.

Enquanto as meninas soluçavam e se arrastavam para suas camas, Carmen virou-se para a porta, sua expressão insondável. Ela passou a mão pelo cabelo escuro e exalou lentamente.

Seus pensamentos voltaram para o Maybach.

O homem que lhe prometera um retorno.

Duke.

Ele havia passado como se ela não existisse.

Mas ela não deixaria que isso fosse o fim.

Seus dedos se flexionaram ligeiramente, como se já estivessem imaginando agarrar sua gola.

Parece que estarei indo para a Toca dos Presas de Prata esta noite, ela pensou friamente.

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