POV de Terceira Pessoa
A noite caiu pesada sobre a propriedade Duskgrave, envolvendo a mansão em um silêncio que beirava o reverente. A lua pendia baixa e pálida sobre os telhados, sua luz lançando longas faixas prateadas sobre os caminhos cuidadosamente pavimentados do jardim abaixo.
Dentro, a luz quente transbordava das janelas do segundo andar. Sombras dançavam atrás das cortinas de veludo, movendo-se dentro e fora do quadro como figuras fantasmagóricas.
Lucien ficou em silêncio do lado de fora do quarto de Riley, uma caneca fumegante de leite quente em sua mão. O rico aroma de mel e hortelã-lobo se enrolava para cima. Sua outra mão pairava perto da porta, hesitando - apenas por um momento - antes de bater suavemente.
Uma vez.
Duas vezes.
Três vezes.
Sem resposta.
Ele franziu o cenho. Riley raramente era uma dorminhoca profunda, não com seus instintos tão afiados quanto haviam crescido nas últimas semanas. Ele pressionou a maçaneta. A porta se abriu facilmente sob seu toque.
Dentro, o quarto estava quieto. Silencioso. Um suave brilho dourado da luminária ao lado da cama banhava tudo em um calor suave. Lá, no fundo, Riley estava em um vestido de noite branco, sua figura contornada contra o vidro das altas janelas. Ela olhava para o jardim, imóvel, seu longo cabelo flutuando ligeiramente no ar da noite.
A voz de Lucien baixou. “Riley?”
Ela não respondeu. Nem um sobressalto. Nem um sopro de reconhecimento.
Agora franzindo a testa, Lucien atravessou o quarto. Ele colocou o leite em sua escrivaninha e se aproximou dela, a tensão familiar do instinto protetor puxando firme sob sua pele.
“Riley,” ele disse novamente, mais alto agora, firme mas gentil. “Está tarde. Você deveria descansar.”
Ainda nada.
Apenas o som do vento escovando contra as janelas.
Ele estendeu a mão e colocou gentilmente a mão em seu ombro.
Riley deu um salto como se tivesse sido atingida por um raio.
Seu corpo se afastou violentamente, e sua perna ferida cedeu sob ela. Ela recuou, desequilibrada.
Lucien a segurou antes que ela pudesse cair, seu braço se enrolando firmemente em torno de sua cintura. Suas mãos se agarraram instintivamente ao seu peito enquanto ela olhava para cima, olhos arregalados, selvagem com um pânico que ele não tinha visto em semanas.
A suavidade de seu corpo tremia contra ele, seu cheiro impregnado de adrenalina e algo mais profundo - medo. Não dele, mas de algo há muito enterrado.
Eles ficaram ali em silêncio por vários batimentos cardíacos, sem falar. Apenas respirando.
Naquele exato momento, um Bentley preto parou do lado de fora dos portões da propriedade. Os pneus sussurraram pela cascalho enquanto o motor morria. Duas figuras saíram.
Kael Vale.
E Theo Hale.
Ambos estavam envoltos em casacos escuros, seus rostos tensos. Mas quando Kael olhou para cima em direção ao segundo andar da propriedade, sua expressão mudou instantaneamente.
Atrás do vidro da alta janela, na luz âmbar do quarto de Riley, estava Lucien Duskgrave - seu braço ainda envolto em torno da cintura de Riley, seus corpos próximos, muito próximos. Daquela distância, parecia um abraço. Um íntimo.
Os olhos de Kael se arregalaram. A raiva explodiu em seu peito como um incêndio.
“Riley,” ele rugiu, sua voz cortando o silêncio como uma lâmina. “Você sem-vergonha - quem diabos permitiu que você vivesse sob o teto dele?”
Seu grito ecoou pelo pátio.
A cabeça de Theo se ergueu, seu olhar seguindo o de Kael.
Ele também viu. As silhuetas. A proximidade. A tensão.
Sua respiração parou, a mandíbula se contraindo enquanto ele tentava compreender o que estava vendo. Por um breve segundo, a incredulidade nublou seus pensamentos. Mas então veio a compreensão - e com ela, uma complexa tempestade de emoções que ele não conseguia nomear.
Ainda assim, Theo estendeu a mão e agarrou a manga de Kael. “Espere. Se acalme. Você ainda não conhece a história completa. Pode haver -”
“História completa?” A voz de Kael estalou de fúria. “Theo, olhe para eles! Você está cego?”
A boca de Lucien se curvou em um sorriso lento e perigoso.
“Então talvez,” ele disse, com a voz baixa e firme, “essa foi a única decisão inteligente que a família Vale já tomou.”
Riley piscou, pega de surpresa.
Ele se aproximou, a tempestade em seus olhos suavizando - apenas um pouco. “Porque eu nunca teria deixado eles te machucarem de novo, Riley. Nem uma vez. Não se você tivesse sido minha.”
Lucien virou lentamente em direção à janela, ainda protegendo Riley. Seu rosto permanecia calmo, mas o ar ao seu redor mudou.
O poder pulsava na sala. A aura do Alfa se elevando.
Riley, sem fôlego, apoiou-se pesadamente na beirada da janela. Ela não falou, não gritou de volta.
Ela não precisava.
Porque essa não era a garota que Kael Vale um dia conheceu. Essa era a mulher que sobreviveu à traição, ao cativeiro e à lenta deterioração do abandono.
Lucien deu um passo à frente, fechando a cortina com uma finalidade silenciosa.
Do lado de fora, Kael encarava a janela fechada como se ela tivesse o insultado pessoalmente.
Theo colocou a mão em seu ombro.
Mas Kael a afastou, os olhos queimando vermelhos sob a luz da lua. “Ele está seduzindo ela. Manipulando ela. Assim como todos aqueles outros lobos antes dele.”
Theo não disse nada.
Porque lá no fundo, um único pensamento estava se enraizando - um que ele não queria considerar.
E se Lucien não estivesse manipulando ela?
E se ela o tivesse escolhido?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Filha da Alcateia (Aysel)
Comprei moedas e os Capítulos a partir do 96 não foram desbloqueados, site ruim....