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A Filha da Alcateia (Aysel) romance Capítulo 456

Ponto de vista de Riley

A porta do carro fechou com um baque pesado, selando o frio, o caos e o irmão que eu já não reconhecia mais.

Lucien deslizou para o banco ao meu lado, o couro rangendo sob ele, e o ar se encheu instantaneamente da dominância silenciosa de um Alfa. Sua presença sempre mudava a energia de um ambiente ou, neste caso, de um carro. Mas, naquela noite, eu não recuei. Não me encolhi. Estava cansada demais para continuar fingindo que não estava quebrada.

Ele não disse nada no início. Não ligou o motor. Apenas ficou ali, ao meu lado, com um cotovelo apoiado na janela, o rosto meio sombreado pela fraca luz do teto.

Minhas mãos estavam cerradas no colo, pálidas, sem sangue. Minhas unhas cavavam minhas palmas tão profundamente que pensei que poderiam sangrar.

— Riley — disse Lucien por fim, com a voz baixa, calma. Não era o tom frio que ele usava no tribunal, nem a distância que ele erguia como armadura. Era algo mais gentil. — Você está bem?

Balancei a cabeça, quase imperceptivelmente.

— Estou bem.

Ele exalou pelo nariz, claramente sem acreditar.

— Você não precisa estar. Não agora.

Meus lábios tremeram, e eu os mordi com força para acalmá-los.

— Ele disse que eu era má. Que machuquei a família dele. Que arruinei a vida dela.

A mandíbula de Lucien se contraiu.

— Ele não se lembra — sussurrei. — Não se lembra do que fizeram comigo. Ou talvez se lembre e simplesmente não se importe.

O silêncio se estendeu entre nós.

Então, sem aviso, Lucien estendeu a mão e me puxou contra ele.

Eu endureci, apenas por um segundo, mas depois meu corpo cedeu, afundando no calor sólido de seu peito. Seu cheiro, pinho, vento e algo levemente esfumaçado, me envolveu, me ancorando de uma forma que eu não esperava.

— Você foi corajosa — ele murmurou perto do topo da minha cabeça. — Eu vi a maneira como você o olhou. Você não estava com medo. Não mais.

— Estou cansada de ter medo — sussurrei.

Ele apoiou levemente o queixo no meu cabelo.

— Bom. Porque eu não quero que você se esconda mais.

Suas palavras ecoaram dentro de mim.

Eu não quero que você se esconda mais.

Por um momento, apenas ficamos ali. O coração dele batia firme sob a minha bochecha, o tipo de ritmo que fazia esquecer que o mundo poderia te machucar.

Então, ele recuou ligeiramente, o suficiente para encontrar meus olhos. O olhar era firme, sério.

— Você já pensou em voltar para a escola?

A pergunta me pegou de surpresa.

— A treinadora-chefe de combate da Ashmoor costumava ser minha professora — explicou. — Nível Alfa, testado em guerra e leal até o fim. Se eu pedisse para ela te avaliar, ela faria. Sem perguntas.

Meu coração começou a bater mais rápido.

— Você faria isso por mim?

— Riley, você precisa acreditar em si mesma. Mesmo com um órgão vital faltando, você ainda foi capaz de invocar seu lobo. Você é mais forte do que pensa. Você pertence ao campo de batalha, não presa dentro da família Vale.

Lucien se inclinou ligeiramente, os olhos ardendo com algo feroz.

— Riley, eu derrubaria reinos por você.

Eu não soube o que dizer. A Riley de seis meses atrás teria chorado. Teria implorado por essa chance. Mas eu não era mais ela.

Agora, eu tinha aço na espinha. Dor no sangue. E um futuro que eu pensava ter perdido para sempre.

— Eu tenho que dizer “sim” agora? — perguntei baixinho.

— Não — respondeu. — Mas se você quiser, se quiser lutar por isso, eu estarei lá. A cada passo do caminho.

Olhei para minhas mãos. As mesmas mãos que sangraram por uma família que nunca me quis. Que lutaram para sobreviver atrás das grades. Que costuraram esperança, fio por fio trêmulo.

Assenti uma vez.

— Eu quero lutar.

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