POV de Lucien
No momento em que entrei no grande salão, o cheiro de sangue me atingiu como um trovão.
Não era qualquer sangue, não.
Era o tipo de sangue que cheirava a humilhação e dor, o sangue de uma loba sendo despedaçada, não apenas fisicamente, mas até a alma.
Meu lobo despertou, uivando dentro de mim. Meus instintos surgiram como incêndio enquanto eu avançava em direção ao centro do caos.
Várias nobres de alta patente estavam lá, pálidas e nervosas. Uma delas me ofereceu um sorriso trêmulo.
— Alfa Lucien... estávamos apenas brincando. Era só uma brincadeira inofensiva... — disse.
— Apenas uma piada — acrescentou outra fracamente.
Eu não as olhei. Meus olhos se fixaram no corpo machucado, encolhido sobre o chão frio de mármore.
Riley.
Seu vestido estava em farrapos, a pele pálida marcada por contusões e arranhões de garras, sangue emaranhando seu cabelo, o rosto inchado além do reconhecimento e ainda assim, eu a reconheci.
Não importava o que fizessem com ela, eu sempre a reconheceria.
Minha loba branca.
Meu coração se apertou. A raiva inundava cada centímetro do meu corpo.
Sem hesitar, tirei meu paletó sob medida e me ajoelhei ao lado dela. Com toda a delicadeza possível, o coloquei sobre seu corpo trêmulo e ensopado de sangue.
Suspiros se espalharam pela sala atrás de mim.
Eles nunca me tinham visto assim.
Lucien Duskgrave. frio, controlado, intocável, segurando uma mulher encharcada de sujeira e sangue como se ela fosse a coisa mais preciosa do mundo.
Porque ela era.
Eu a peguei em meus braços. Deuses, ela era leve. Muito leve. Como se toda a força tivesse sido drenada de seus ossos.
Então, ela se mexeu.
Suas pestanas tremularam, o sangue grudando-as, e ela abriu os olhos para me olhar. Seus lábios se curvaram em um sorriso frágil.
— Alfa... — Sua voz mal era audível. — Você veio por mim...
Aquele sorriso., deuses, aquele sorriso, perfurou meu peito como uma lâmina de ferro.
Minha garganta queimava. Engoli em seco e sussurrei:
— Sim. Estou aqui.
Eu podia sentir cada tremor de seu corpo quebrado através da minha camisa. Suas omoplatas eram tão afiadas que pareciam facas sob a pele. Minha pegada nela se apertou instintivamente.
Então, olhei para cima.
E a sala ficou em silêncio.
Não precisava elevar a voz. Um olhar era suficiente para silenciar até mesmo os nobres mais arrogantes. Minha fúria se espalhou pelo ar como uma nuvem de tempestade carregada de raios.
Não a olhei novamente. Voltei para Riley, ainda enlaçada em meus braços, e segui em direção à saída lateral.
O mármore preto sob meus pés agora estava manchado de sangue, seu sangue, e cada passo parecia gravar-se nos meus ossos.
Ao me aproximar da cabeceira da mesa, minha avó, Matriarca Duskgrave, levantou-se de sua cadeira, rosto tempestuoso de dor e fúria.
— Avó — disse quietamente — posso pegar sua capa cerimonial?
Sem hesitar, ela desprendeu a pesada capa bordada de seus ombros e segurou para mim. Sua voz tremia de raiva:
— Pegue. E Lucien... garanta que ninguém que tenha machucado nossa garota saia daqui ileso.
— Eu vou — prometi.
Envolvi a capa ao redor de Riley, cobrindo-a completamente. O tecido vermelho rico, com bordados dourados, a envolveu como uma segunda pele. Apenas um pedaço do tornozelo pálido permanecia visível, branco como a neve contra a seda manchada de sangue.
O silêncio caiu novamente. Ninguém ousava se mover.
Virei-me e saí pelas portas duplas do grande salão. O último brilho do candelabro refletiu no rosto distorcido de Seraphina antes que as portas se fechassem.
Ela ficou lá, tremendo, os lábios se movendo sem palavras, até finalmente se virar para o marido.
— Lucien está errado — gaguejou, voz trêmula. — Aquela mulher... ela é sua amante, não é? Aquela loba branca que você tem escondido, ela é sua prostituta!
Mas ninguém respondeu.
Porque a verdade já havia gravado seu caminho em todas as paredes daquele salão amaldiçoado.
E agora... a vingança viria.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Filha da Alcateia (Aysel)
Comprei moedas e os Capítulos a partir do 96 não foram desbloqueados, site ruim....