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A Filha da Alcateia (Aysel) romance Capítulo 423

A propriedade de Duskgrave permanecia silenciosa sob o sol da manhã, mas lá dentro um calor tranquilo havia se instalado desde a chegada de Riley. A garota que um dia fora privada de afeto agora se banhava no amor constante e nutridor da Matriarca Duskgrave, da Sra. Beck e de Mia. A devoção delas era um bálsamo para o espírito fraturado de Riley.

A maior alegria da Matriarca Duskgrave, nos últimos tempos, era se entregar a intermináveis sessões de compras, não para si mesma, mas para Riley. Roupas, sapatos, joias e bolsas enchiam os vastos armários, cada peça cuidadosamente escolhida para adornar a jovem como se ela fosse uma rainha da Alcateia de Stormridge.

— Minha nora é jovem e bonita. Seria uma pena não vesti-la com roupas dignas dela — dizia a matriarca com um brilho orgulhoso nos olhos.

Mesmo que Riley raramente saísse de seu quarto, o entusiasmo da matriarca nunca diminuía. Enquanto isso, a Sra. Beck e Mia se revezavam preparando todo tipo de refeição deliciosa, na esperança de recuperar um pouco da força da garota pálida.

Em poucos dias, o rosto de Riley recuperara um leve rubor. Ainda magra, mas as pesadas sombras de tristeza que antes a envolviam começaram a se dissipar. Uma luz de esperança frágil cintilava em seus olhos.

Apesar disso, fora das refeições, Riley permanecia reclusa em seu quarto, escondida atrás de uma porta raramente aberta. Preocupada com o estado mental da jovem, a matriarca tentou várias vezes convencê-la a sair, mas Riley resistia.

Foi Lucien quem pôs fim às tentativas:

— Avó, o aniversário da senhora está a apenas um mês de distância. Riley está preparando um presente especial para a matriarca. Por favor, deixe-a ter seu espaço.

Ao ouvir isso, os olhos da matriarca se iluminaram de calor e compreensão. Cedeu, tocada pela consideração da garota, e decidiu não perturbá-la mais.

***

Numa manhã fresca, enquanto Lucien tomava café da manhã observando os extensos jardins, seu telefone tocou. Era Duke, seu fiel ajudante.

Ele se afastou da mesa e atendeu com voz calma:

— Alô?

Do outro lado, o tom de Duke era cortante e direto:

— Senhor, a perna de Maddox foi quebrada pelos agentes que enviei. Ele está inconsciente no hospital. Quais são as próximas ordens?

Os olhos de Lucien escureceram ao ouvir o nome de Maddox, o advogado que enviara maliciosamente Riley, uma inocente, para a prisão da alcateia. Sua expressão endureceu, os músculos tremendo de raiva contida.

— Se um homem não pode servir à justiça, então não é mais digno do título.

Duke já esperava essa resposta. Maddox abusara do poder da lei, traindo não apenas Riley, mas também a alcateia que jurara proteger. E devia seu diploma de direito aos sacrifícios de Riley, durante os anos mais difíceis no ensino médio, ela trabalhara incansavelmente, vencendo concursos e assumindo empregos extras para financiar sua educação.

Mas não havia gratidão. Em vez disso, Maddox condenou Riley a cinco anos de tormento atrás das grades. Como ousava ele andar livre enquanto ela sofria?

Duke lamentava silenciosamente o destino de Maddox. Desafiar a poderosa matriarca e Lucien era um jogo perigoso e Maddox estava perdendo.

Sem hesitar, Duke começou a reunir provas das atividades ilegais do advogado: subornos, má conduta, violações éticas. Enviou tudo rapidamente ao conselho jurídico da Alcateia de Stormridge e à guilda de advogados.

Sob a meticulosa orquestração de Duke, a licença de Maddox foi cassada sem piedade.

Quando a anestesia passou, os gritos agonizantes de Maddox ecoaram pela sala estéril do hospital, a dor de sua perna quebrada tomando conta. Mas aquela seria apenas a primeira de suas punições.

A notícia da desqualificação, somada a uma multa de vários milhões de créditos, mergulhou-o numa espiral de desespero. Em apenas cinco anos de carreira, sua reputação lhe garantira casa luxuosa e carro de alto padrão em Mooncrest, mas as multas consumiram rapidamente suas economias.

Seus bens, casa, veículo, contas bancárias, logo seriam confiscados para pagar dívidas. Depois de saldar a cirurgia e taxas hospitalares, restaram-lhe míseros dez mil créditos no cartão.

Treinaram ao amanhecer e ao anoitecer.

Riley corria até as pernas falharem. Lutava contra o lobo de Lucien, levava hematomas, era jogada ao chão. Seus instintos estavam embotados, os movimentos enferrujados, mas toda vez que caía, levantava-se de novo. Com um rosnado. Com uma fúria que fazia a própria terra tremer.

Nyra, antes silenciada e acorrentada, começava a reagir. Olhos mais brilhantes, forma mais sólida. Ainda fraca, mas não mais desaparecendo.

— Você está ficando mais forte — disse Lucien certa noite, sentados sob o céu crepuscular, ambos ofegantes, ambos ensanguentados.

Riley limpou a sujeira da bochecha.

— Não forte o suficiente.

— Ainda não — ele concordou. — Mas vai ficar.

Porque Riley sabia: se queria vingança, verdade e liberdade, não podia apenas sobreviver. Precisava se tornar o que eles mais temiam.

Uma loba branca renascida.

Não a Ômega que descartaram. Não a criminosa que trancaram.

Mas a tempestade que nunca viram chegar.

E desta vez, não estaria sozinha. Lucien estava ao seu lado. Não apenas como Príncipe Alfa, mas como aliado.

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