Isla e Gabriel estavam sentados em silêncio no banco traseiro do carro dele. A tensão de mais cedo ainda continuava, e nenhum dos dois dizia uma palavra.
O maxilar de Gabriel se contraiu enquanto ele encarava a paisagem pela janela. Estava furioso com o irmão. Wyatt sempre fora manipulador, sempre distorcendo as coisas e alterando números nos documentos da empresa apenas para benefício próprio. Gabriel ignorara isso por anos em nome da paz, mas desta vez chegara ao limite. Ele estava farto de tolerar a ganância de Wyatt.
Ele se virou levemente, observando Isla ao seu lado. Ela parecia perdida em pensamentos, o olhar fixo nas ruas movimentadas que passavam.
Mas o silêncio dela não era por causa de Wyatt, era por causa das próprias preocupações. Sua empresa precisava de sua atenção, mas não havia como deixar Carminton naquele momento.
Embora estivesse gerenciando tudo à distância, sua presença era necessária, especialmente agora que o diamante rosa pelo qual ela havia pago ainda não tinha sido entregue.
Aquela pedra rara significava tudo para o projeto dela. O design do pingente que havia planejado poderia fazer sua marca alcançar reconhecimento internacional. Não recebê-la seria um golpe enorme.
A voz grave de Gabriel quebrou o silêncio.
— No que você está pensando? — Perguntou gentilmente.
Isla piscou e sorriu. Agora que tinha a atenção dele, ajeitou-se no banco e também voltou o olhar para ele. Preferia essa versão de Gabriel, o Gabriel calmo e caloroso, e não o homem frio que vira mais cedo em seu escritório.
— Nada sério. — Disse suavemente.
— Só… pensando em tudo. No que nos levou ao casamento e em como tudo aconteceu tão rápido.
Ela deu de ombros de leve, baixando o olhar para as próprias mãos.
Claro que aquilo não era toda a verdade. Ela ainda não queria contar sobre os problemas da empresa. Não até ter certeza de que podia confiar nele. Não até ter certeza de que o casamento deles — forçado ou não — tinha uma chance real de dar certo. Ela queria que desse certo, e Alfred Wyndham também. Até sua mãe daria qualquer coisa para que desse certo.
Os olhos de Gabriel se detiveram no rosto dela, como se lesse os pensamentos que ela não dizia em voz alta.
— Tenho muita coisa para te contar. — Murmurou.
— E algumas surpresas também. Mas não agora. Não quero estragar o momento. Apenas espere mais um pouco.
Ele pegou a mão esquerda dela, e o polegar deslizou sobre o dedo anelar. O diamante cintilou suavemente. Ele ergueu a mão dela e depositou um beijo lento sobre o anel.
— Agora. — Disse, com um tom de voz provocador.
— Eu só quero passar o resto do dia e da noite com minha esposa. Sem interrupções. E não espere que eu seja delicado.
A respiração de Isla falhou. Suas bochechas ficaram levemente coradas. Ela desviou o olhar rapidamente, embora um pequeno sorriso se formasse em seus lábios. Entendeu perfeitamente o que ele quis dizer, e embora nunca admitisse em voz alta, queria o mesmo.
O carro diminuiu a velocidade e em seguida parou.
Gabriel olhou pela janela e voltou-se para ela.
— Vamos continuar nossa conversa depois do almoço. — Disse em tom baixo.


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