— Você não precisa ficar tímida, meu amor. — Provocou Gabriel, com uma risada baixa, claramente se divertindo com a reação dela. Sua voz carregava aquele calor profundo que sempre fazia o estômago de Isla revirar.
Ela desviou o olhar por um instante, depois sorriu. Parecia tímida, mas também cheia de emoção. Quando seus olhos encontraram os dele novamente, algo dentro dela se suavizou por completo. Por um breve segundo, ela esqueceu tudo. Das discussões com Wyatt, das dúvidas não ditas entre eles. Tudo o que conseguia sentir era o quanto era tranquilo estar ali com ele, o quanto a presença dele a fazia se sentir segura.
Gabriel percebeu o silêncio dela e inclinou levemente a cabeça.
— Você se perdeu nos pensamentos de novo. — Disse baixinho, com um tom ainda mais suave do que antes. Ele se inclinou um pouco para a frente, os olhos verdes cheios de curiosidade e cuidado.
— Me diga, falando sério… no que você está pensando?
Isla abriu os lábios para responder, mas a porta se abriu antes que pudesse falar. O chefe de salão entrou com um sorriso discreto, empurrando um carrinho prateado. O aroma delicado de manteiga e especiarias preencheu o ambiente enquanto ele servia as entradas. Instantes depois, o sommelier se aproximou, servindo o vinho tinto em taças de cristal.
Gabriel fez um gesto breve de dispensa, e os dois se retiraram. A porta se fechou suavemente, deixando apenas o silêncio e o calor entre o casal.
Gabriel recostou-se na cadeira, sem tirar os olhos dela.
— Quando terminarmos de comer, espero que você responda às minhas perguntas. Não pense que eu esqueci. — Ele mencionou o assunto novamente, com aquele tom provocador de sempre.
Isla riu baixinho e assentiu, embora o coração batesse mais rápido sob o olhar dele.
O almoço seguiu em um silêncio confortável. O bife estava macio, a lagosta perfeitamente preparada, e o vinho, encorpado e suave. Mesmo enquanto comiam, seus olhares conversavam. Era como se eles se entendessem sem ao menos esboçarem palavras.
Quando a sobremesa foi servida e os garçons finalmente se retiraram, Gabriel se levantou e agradeceu. O ambiente voltou a ficar silencioso, e apenas o som distante das ondas do mar podia ser ouvido.
Isla se levantou e caminhou até a parede de vidro. Observou a vista deslumbrante lá embaixo, o oceano cintilando sob o sol. Por um momento, perdeu-se naquela beleza.
Atrás dela, Gabriel afrouxou a gravata e tirou o paletó, dobrando-o com cuidado sobre a cadeira. Aproximou-se em silêncio. Quando chegou por trás dela, sua presença a envolveu por completo. O peito dele tocou suavemente suas costas, e o hálito quente roçou seu pescoço.
Isla deu uma risadinha suave com a proximidade.
— Gabriel…
Ele também riu, a voz baixa e rouca de afeto. Apoiou o queixo na curva do pescoço dela e envolveu sua cintura com os braços. As mãos dele deslizaram pela linha dos quadris e subiram lentamente, até repousarem sobre seus seios. Ela arfou baixinho, o corpo cedendo ao toque dele.
— Isla. — Murmurou perto do ouvido dela.
— Podemos parar de brigar? — Perguntou.
— Podemos simplesmente… aproveitar o que temos? Sem terceiros, sem interferências. Só você e eu.
Ela ficou imóvel. As palavras dele afundaram em seu coração, pesadas e sinceras. Por um instante, quis perguntar se ele estava pronto para prometer o mesmo — para parar de deixar os outros se colocarem entre eles —, mas se conteve. Em vez disso, apenas assentiu.
Gabriel a virou lentamente para encará-lo. Os olhos azuis dela estavam mais brilhantes, encontrando o verde intenso do olhar dele. A mão dele subiu, afastando uma mecha solta de cabelo do rosto dela. O polegar permaneceu em sua bochecha por um instante antes de ele enfiar as mãos nos bolsos, erguendo-se à frente dela.
— Eu sei que você ainda não confia em mim. — Disse em voz baixa.
— E não posso te culpar por isso, porque sei o quanto te machuquei. Mas acredite em mim, Isla… eu vou consertar isso. Vou fazer esse casamento dar certo. E quando isso acontecer, você vai entender o motivo de poder me respeitar.
— Eu já te respeito, Gabriel. — Ela disse suavemente, quase antes que ele terminasse.
— Talvez eu ainda não confie totalmente, mas estou disposta a tentar. Eu também quero que esse casamento funcione.
Ele assentiu devagar, e um pequeno sorriso surgiu no canto de seus lábios.
Os dois voltaram a olhar para a parede de vidro. O oceano abaixo cintilava sob o sol que começava a se pôr, as ondas quebrando na areia.
— Linda vista, não é? — Ele disse em tom baixo.

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