Peter não pediu permissão, apenas seguiu o que seu coração mandava. Sem hesitar, puxou Sofie para perto, as mãos firmes em sua cintura, e pressionou os lábios contra os dela.
O corredor explodiu em suspiros. Ninguém esperava aquilo. Até Alfred, que ainda segurava a mão de Isla, ficou atônito por um instante. Depois, sua expressão suavizou para algo indecifrável. Ele apenas balançou a cabeça e suspirou.
"Esses jovens, nunca sabem esconder seus sentimentos."
Ele pensou.
Alfred conhecia Peter muito bem. Conhecera também seu falecido avô, um de seus amigos mais antigos antes de partir. Então, se Peter estava beijando uma mulher em público, só podia significar uma coisa: o rapaz tinha sentimentos fortes por ela.
Os olhos de Isla se arregalaram em incredulidade.
"O que há de errado com Peter hoje? E por que a Sofie?"
Ela teve vontade de ir até lá e separá-los, mas se forçou a manter a calma. Aquilo não lhe dizia a respeito. Ela já tinha problemas demais para resolver.
Sofie estava chocada demais para reagir. Sua mente ficou em branco. Ela soltou um suspiro baixo, dando a Peter a oportunidade perfeita para aprofundar o beijo. Os lábios dele se moveram com urgência contra os dela, cheios de fome e emoção, como se o mundo inteiro tivesse desaparecido. Os pensamentos dela se dispersaram, o corpo ficou rígido e o coração disparou no peito.
Mas quando sentiu de repente o calor percorrer seu corpo — queimando baixo em seu ventre e descendo por suas coxas — a realidade voltou com força. Seus olhos se abriram de repente.
"O que eu estou fazendo?"
Gritou dentro da própria cabeça. Reunindo toda a força que conseguiu, ela o empurrou para longe.
Sua mão subiu rapidamente e estalou com força no rosto dele. O som seco ecoou pelo corredor. Uma nova onda de suspiros se espalhou.
— O que você pensa que está fazendo? — Ela disse, a voz tremendo de raiva. Suas bochechas queimavam.
Peter olhou diretamente nos olhos dela, a voz calma, porém firme.
— Case comigo. — Disse.
— Case comigo, e você nunca vai se arrepender.
Alfred Wyndham soltou uma risada baixa, balançando a cabeça. O velho nunca resistia a um drama, especialmente quando vinha dos mais jovens.
Mas Peter não havia terminado. Ele respirou fundo, o tom agora mais suave.
— Eu sei que posso parecer frio para você. Sei o que dizem sobre mim. Mas se você me der apenas uma chance, só uma. Vai ver que eu posso ser gentil… tão gentil quanto uma pomba.
Ele deu um passo para trás, um leve sorriso nos lábios, como se tivesse acabado de confessar a coisa mais natural do mundo.
Sofie mal conseguia acreditar no que estava ouvindo.
"Ele está falando sério?"
Pensou.
Que tipo de homem pede alguém em casamento no corredor de um hospital? Quase riu, mesmo em choque. Que tipo de homem faz isso… e ainda parece acreditar em cada palavra?
Mas, por baixo de toda aquela incredulidade, algo profundo dentro dela se mexeu. Seu coração sussurrou que talvez, só talvez ele estivesse dizendo a verdade. Mas ali? Naquela situação horrível?
Ela esmagou o pensamento imediatamente. Não. Não eu. Não um homem como ele. Ela balançou a cabeça.
Ela conhecia bem a própria história. Nascera na pobreza. Os pais morreram quando ela ainda era criança. O tio que deveria cuidar dela a abandonara quando ainda era adolescente. Cada passo de sua vida fora uma luta. Trabalhos intermináveis para pagar a faculdade, batalhas constantes para sobreviver em um mundo que nunca lhe dera nada de graça.
Sempre sonhara com o amor. Com conhecer um homem gentil, bondoso, que a amasse pelo que ela era. Mas Peter? Peter não podia ser esse homem. Ele era rico, poderoso e vivia em um mundo completamente diferente. Não havia como aquilo ser real.

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