— Onde está aquela bruxa? Eu vou matá-la! Vou matá-la! É tudo culpa dela!
A voz de Anna ecoava pelo corredor do hospital como um trovão. Ela arremessava tudo o que suas mãos alcançavam, flores, bandejas, até a prancheta de uma enfermeira. Médicos e enfermeiros corriam ao redor, tentando acalmá-la, mas ela estava forte demais para eles.
Sia e Mia estavam lá, fazendo o possível para contê-la, mas a fúria de Anna era descontrolada. Sua força, mesmo naquele estado de loucura, era assustadora.
Alfred Wyndham estava sentado em silêncio em um banco a poucos metros dali, a bengala apoiada entre os joelhos. Ele não se mexia nem dizia uma palavra. O velho parecia calmo demais para o caos ao redor, os olhos perdidos em pensamentos profundos.
John parecia exausto e irritado.
A mão de Isla voou até a boca. Ela congelou em choque ao ver a sogra.
— Meu Deus… é verdade. — Sussurrou.
— Ela perdeu a razão. Mas por quê? O que aconteceu com ela?
As perguntas ecoavam em seu peito enquanto observava Anna gritar e lutar contra os enfermeiros.
Então, os olhos de Anna encontraram Isla. Por um segundo, tudo parou.
A expressão de Anna se contorceu, selvagem e cheia de ódio. Antes que alguém pudesse reagir, ela se soltou dos enfermeiros e avançou em direção a Isla.
— Ela está aqui! A bruxa está aqui! — Gritou, a voz carregada de fúria.
John tentou impedi-la, mas já era tarde.
Suspiros de choque percorreram o corredor. Todos ficaram paralisados. Isla não conseguiu se mover, seus pés pareciam grudados no chão, os olhos arregalados de medo.
Mas antes que Anna pudesse alcançá-la, Gabriel avançou. Em um movimento rápido, bloqueou o caminho da mãe e a segurou nos braços. Sem hesitar, ergueu-a e a levou dali, o maxilar travado, o rosto completamente fechado.
Médicos e enfermeiros correram atrás dele, aliviados por alguém finalmente ter assumido o controle da situação. John também o seguiu de perto.
O corredor mergulhou em um silêncio pesado. Isla permaneceu ali, tremendo, a mente em turbilhão. Ela nem ouvia mais os outros chamando seu nome. Tudo ao redor parecia distante, como se estivesse presa debaixo d’água.
Ben, Peter e Landon se aproximaram dela. Cada um, em momentos diferentes, colocou a mão em seus ombros, tentando trazê-la de volta à realidade. Mas Isla não reagiu. Seu olhar estava vazio.
Então ouviu-se um barulho...
Tapa!
O som seco cortou o silêncio do corredor. A mão de Sofie havia acertado o rosto de Isla.
Todos engasgaram.
— O que você pensa que está fazendo? — A voz de Alfred Wyndham soou grave e autoritária. Ele tinha visto claramente e não podia acreditar no que acabara de presenciar.
Até Ben e Peter encararam Sofie, chocados. Mas ela não recuou. Seus olhos estavam sérios.
— Ela estava entrando em uma crise de pânico. — Disse Sofie rapidamente, a voz levemente trêmula.
— Se eu não tivesse feito isso, ela teria desmaiado. Eu já vi isso acontecer antes.
Todos os olhares se voltaram para Isla. Ela respirava com dificuldade agora, o peito subindo e descendo rápido. Lágrimas escorriam por seu rosto, mas ela não soluçava, estava tentando respirar.
Betsy deu um passo à frente, preocupada.
— Crise de pânico? Eu nem sabia que ela tinha isso. Estudamos juntas na faculdade. Desde quando?
— Eu também não sabia. — Disse Sofie em voz baixa.

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