Gabriel marchou para a frente e parou bem diante do elevador, bloqueando o caminho do avô. Seu rosto estava calmo, mas a tensão em seu maxilar dizia o contrário.
Seus olhos se voltaram para os dois seguranças ao lado de Alfred.
— Vocês dois podem nos deixar, por favor? — Pediu com firmeza.
Os homens trocaram um rápido olhar e assentiram antes de se afastarem, dando-lhes privacidade.
Alfred permaneceu parado, o rosto duro e indecifrável.
— Do que se trata isso? — Perguntou, a voz baixa, mas carregada de autoridade.
Gabriel deu um passo à frente. Seus olhos não vacilaram.
— O senhor sabe exatamente do que estou falando, avô. Por favor, pare com o que quer que esteja fazendo. Não pense nem por um segundo que eu não saberia que o senhor está por trás de tudo isso.
— Por trás de quê, exatamente?
— Por trás do estado da minha mãe. Fazendo parecer que ela está perdendo a sanidade. — Respondeu Gabriel.
Alfred não disse nada. Apenas o encarou, as mãos cruzadas ordenadamente atrás das costas enquanto ainda segurava a bengala, esperando Gabriel terminar.
Gabriel passou a mão pelos cabelos, já bagunçados pelo dia longo e estressante.
— Eu sei que o senhor quer o meu bem. — Continuou em voz baixa.
— Está fazendo isso por mim… por Isla. Eu sei que o senhor quer nos proteger e impedir minha mãe de levar adiante os planos dela. Mas, por favor… eu consigo lidar com isso sozinho.
Por um momento, o rosto de Alfred suavizou. Então, sua expressão voltou a se fechar. Ele deu um passo lento à frente até ficar diretamente diante do neto.
— Você quer dizer que consegue lidar com isso quando engravida outra mulher enquanto ainda é casado com sua esposa? — Disse Alfred devagar, suas palavras foram afiadas e calculadas.
— Essa é a sua ideia de resolver as coisas?
Gabriel congelou, o ar entre eles se tornando denso.
Alfred continuou, a voz fria, porém calma:
— Se você realmente quer que eu fique fora dos seus assuntos, então prove. Mostre-me que consegue consertar o que está quebrado antes que isso destrua tudo. Até lá… — Ele fez uma pausa e abriu um pequeno sorriso cheio de significado.
— Não me peça para parar o que comecei.
Com isso, virou-se e entrou no elevador. Os dois seguranças o seguiram. As portas se fecharam, deixando Gabriel sozinho no corredor silencioso.
Por um tempo, ele não se mexeu. Seus olhos permaneceram fixos nas portas fechadas do elevador, como se o avô ainda estivesse ali.
Então, uma mão firme tocou seu ombro, fazendo-o se sobressaltar levemente. Ele se virou e encontrou o pai, John, parado à sua frente.
— Filho. — Disse John suavemente.
— Vá para casa. Leve sua esposa e descanse. Por favor. Eu não vou conseguir lidar com as coisas se você também desmoronar.
Gabriel suspirou e desviou o olhar.
— Alguém precisa detê-lo, pai. Ele foi longe demais desta vez.
John balançou a cabeça lentamente.
— Talvez tenha ido, mas é para o melhor. — Respondeu.
— Sua mãe precisa desse afastamento. Ela precisa descansar, e você precisa de paz. Confie em mim, Gabriel, esta é a melhor maneira de mantê-la longe de interferir no seu casamento.
Mas Gabriel não estava convencido. Para ele, tanto o pai quanto o avô estavam andando numa linha perigosa, capaz de destruir a família. Decisões imprudentes nunca fizeram parte de seus planos.
Sem dizer mais nada, ele passou pelo pai e voltou para onde Isla o aguardava. Os olhos dela examinaram seu rosto no instante em que ele se aproximou.
— Vamos. — Disse em voz baixa, segurando a mão dela.
— Vamos para casa.

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