Enquanto os lábios de Isla ainda estavam colados aos do marido, uma voz furiosa rompeu a música.
Delphine avançava em direção a eles, os saltos batendo no chão com estalos secos. O rosto estava pálido de raiva, e os olhos ardiam com algo próximo da loucura.
— Gabby! — Ela gritou, o amargor na voz fazendo várias cabeças se virarem.
Isla congelou no meio do beijo e se afastou lentamente, respirando de forma irregular. Tentou dar um passo para o lado para ver o que Delphine faria, mas a mão de Gabriel estava firme em sua cintura. O aperto não afrouxou. Ele não deixaria ninguém estragar aquele momento, nem mesmo Delphine.
Pela primeira vez em dias, Isla havia gargalhado e também sorrido. Ela até o beijara por vontade própria. Ele não estava disposto a perder aquilo por causa de um passado que se recusava a ficar enterrado.
Ainda assim, Gabriel ficou chocado ao ouvir a voz de Delphine. Ele a havia avisado mais cedo, deixado claro que ela deveria se manter afastada. Tinha dito que Isla estava ali. E mesmo assim, ela apareceu, seguindo-o outra vez, como uma sombra que se recusava a desaparecer.
Ben e Peter, que estavam sentados tranquilamente com Isla antes da chegada de Gabriel, trocaram um olhar incrédulo. Estavam chocados por Delphine ter aparecido ali. A audácia daquilo. Seguir um homem casado até um clube público, sem nenhum pudor.
Os dois se lembravam muito bem de que tipo de mulher Delphine era.
Três anos atrás, eles a tinham visto se atirar nos braços de um astro de cinema — Carl Hompton — logo depois de partir o coração de Gabriel. Na época, os boatos foram intensos. Algumas pessoas chegaram a confundir Carl com Gabriel, já que eles tinham certa semelhança. Talvez fosse por isso que Delphine ainda rondasse Gabriel, porque Carl a havia abandonado dois anos antes, e ela não tinha mais para onde ir.
Ainda assim, os antigos sentimentos de Gabriel por ela sempre foram o que mais preocupou seus amigos. Eles testemunharam o casamento dele com Isla, uma mulher de graça, bondade e força silenciosa, e acreditaram que Delphine fosse, finalmente, um capítulo encerrado. Mas aparentemente, não era.
Quando Gabriel se virou um pouco, seu braço envolveu Isla de forma protetora, e seus olhos se tornaram duros.
— O que você quer, Delphine? — A voz dele era fria, calma e distante, como gelo.
Até Isla sentiu a mudança no tom.
Os lábios de Delphine tremeram, e seus olhos se encheram de lágrimas.
— Isso não é justo, Gabby. — Disse ela suavemente, a voz vacilante.
— Você não pode achar, de verdade, que eu ficaria longe sabendo que estaria com ela.
Os olhos de Isla faiscaram. Sua paciência se rompeu.
— O quão sem-vergonha você consegue ser, Delphine? — Disparou, afastando o braço de Gabriel e dando um passo à frente.
Agora, ela estava frente a frente com a mulher que tentou destruir seu casamento, era mulher um acerto de contas entre mulheres. O ar entre elas estava carregado de tensão.
Ao redor, os seguranças cercaram discretamente a área, afastando os olhares curiosos. Ninguém no clube precisava entender o que estava acontecendo, e nem precisava.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Extraordinária Noiva da Família Wyndham