— Eu não posso. Ela vai ficar bem. Não está sozinha. As amigas estão com ela. — Respondeu Gabriel, com um tom calmo, porém distante.
Ele ainda segurava o celular quando uma mensagem surgiu na tela. Era de Sofie.
[Peço desculpas por incomodá-lo durante o horário de trabalho, senhor, mas achei que o senhor deveria saber onde estamos. A amiga de Isla acabou de chegar de Teriporto, alguém chamada Betsy. Estamos em um clube. Parece que seu irmão é o dono do lugar. Ela ainda não está muito bem no momento. Vou mantê-lo informado.]
Gabriel terminou de ler a mensagem e soltou um longo suspiro cansado. Sua expressão se fechou por um instante, antes de ser novamente coberta por uma máscara de tranquilidade.
— Aconteceu alguma coisa? — Perguntou Ben, percebendo a tensão no rosto do amigo.
Gabriel se virou, caminhou de volta até o sofá e sentou-se ao lado dele.
— Nada com que se preocupar. — Respondeu de forma curta.
— Sei… como se você mesmo não estivesse preocupado. — Disse Ben, revirando os olhos.
— Olha, se isso tem a ver com Isla, acho que deveríamos ir até lá agora.
— Não posso. — Disse Gabriel, olhando o relógio no pulso.
— Tenho uma reunião muito importante às cinco. Daqui a… — Ele fez uma pausa, conferindo o horário.
— Exatamente trinta minutos. Isla vai ficar bem. Tenho alguém cuidando dela.
Ben se recostou e soltou um assobio baixo.
— Uau. O trabalho realmente não pega leve com você, hein? Eu entendo. Mas que tal irmos a esse mesmo clube depois que você terminar? O Peter provavelmente também estará livre até lá.
Gabriel se levantou, ajeitando o paletó.
— Perfeito. Vou tentar terminar mais cedo. — Disse, assentindo de leve.
— Nesse caso, me manda o endereço e te vejo mais tarde. — Respondeu Ben, levantando-se também. Ele puxou Gabriel para um abraço rápido, um abraço de irmãos. Sorriu e saiu do escritório. A porta se fechou suavemente atrás dele, deixando Gabriel sozinho com seus pensamentos.
Por um momento, tudo pareceu pesado demais. O peso das responsabilidades o pressionava, o império que comandava e o casamento complicado com Isla.
Ele respirou fundo, pegou o telefone da mesa e ligou para a secretária.
— Suzanne, antecipe a reunião das cinco em quinze minutos. E cancele a reserva do jantar que eu tinha para hoje à noite.
Anna dirigiu através dos altos portões escuros de um hospital psiquiátrico particular. As pesadas grades de metal se abriram, e assim que seu carro elegante entrou, se fecharam novamente atrás dela com um estrondo.
O terreno do hospital era estranhamente silencioso. Uma longa alameda serpenteava entre árvores altas até chegar ao prédio principal. Moderno, branco e excessivamente limpo.
Ela permaneceu lá dentro por quase uma hora antes de sair novamente. Mas o que Anna não sabia era que alguém a observava.
À distância, um homem com uma câmera permanecia ao lado do carro, tirando fotos enquanto ela entrava e saía. A lente capturou seu rosto com clareza. Capturou a tensão em seu maxilar, os óculos escuros que ela usava mesmo com o sol já fraco.
Quando terminou, ele abaixou a câmera, entrou no carro e desapareceu pelas ruas.
Mais tarde naquela noite, o carro preto de Gabriel parou em frente ao clube. As luzes de neon brilhavam pela rua, refletindo nos vidros escurecidos enquanto a música pulsava lá de dentro.
Thomas, o motorista, desceu rapidamente e abriu a porta traseira.
— Obrigado, Thomas. — Disse Gabriel, saindo do carro. O telefone ainda estava encostado à orelha enquanto ele encerrava uma ligação. Assim que desligou, uma voz familiar o fez congelar.
— Gabby?
Ele enrijeceu. Aquela voz, ele reconheceria em qualquer lugar. Lentamente, virou-se.

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