— Uau. — Disse Isla lentamente, a voz repleta de sarcasmo.
— Uau, Delphine. Simplesmente… uau. Eu não sabia que sua memória era tão curta.
O insulto atingiu como um chicote. Suspiros explodiram ao redor delas, ecoando suavemente pela área VIP. Felizmente, não havia nenhum estranho presente; os seguranças haviam isolado completamente o local.
Até Betsy e Sofie, que tinham saído mais cedo para ir ao banheiro, foram barradas no corredor quando tentaram voltar. Os seguranças receberam ordens para não deixar mais ninguém entrar na área VIP. O próprio Gabriel havia enviado uma mensagem rápida ao chefe da segurança, mandando esvaziar todo o andar. Ele não estava disposto a correr riscos. A única razão de Betsy e Sofie ainda estarem por perto era porque os seguranças as reconheceram como amigas de Isla.
O rosto de Delphine endureceu.
— Como é?
— Ah, você ouviu muito bem. — Disse Isla, o tom calmo, porém cortante.
— Você acabou de contar uma história comovente, e eu fiquei emocionada, de verdade. Mas agora é a minha vez. Vamos esclarecer uma coisa, Delphine. Você disse que eu sabia que Gabriel era seu namorado, e mesmo assim, me enfiei na cama dele? Não, querida. Isso não é justo. Se vai contar uma história, pelo menos conte a verdade.
Isla não tinha terminado, nem de longe. Sua voz ficou mais forte quando ela deu um passo à frente.
— Vamos começar do começo, pode ser? Sim, você estava com Gabriel três anos atrás. Isso soa familiar?
As narinas de Delphine se abriram, a raiva mal contida.
— Três anos atrás, você, Delphine Winthrope, traiu seu suposto namorado, o senhor Gabriel Wyndham. — Continuou Isla, a voz cortando a música suave ao fundo.
— Você o deixou por um astro de cinema de quem todo mundo falava, o tal do Carl Hompton. Estou certa disso?
Suspiros percorreram novamente os seguranças. O rosto de Delphine ficou vermelho, os lábios tremendo. Ela abriu a boca para falar, mas as palavras seguintes de Isla a silenciaram por completo.
— Sim, você está certa em uma coisa. — Disse Isla suavemente. — Eu amava Gabriel. Mesmo quando ele estava com você, eu o amava à distância. Sempre tive sentimentos por ele. Mas ele escolheu você, e isso estava tudo bem para mim. Eu nunca tentei tirá-lo de você. Mas não distorça a verdade, Delphine. Eu não planejei o que aconteceu entre mim e Gabriel. Não. Se quer saber, eu acredito que foi destino. Porque mesmo eu o amando, as circunstâncias que levaram ao nosso casamento estavam fora do meu controle.
A voz dela começou a tremer, e seus olhos brilharam com lágrimas contidas.
— Quando aconteceu, eu não tive escolha. Nenhuma. Mas você, Delphine… você nem sequer estava mais com ele. Estava ocupada demais bancando a namorada de uma superestrela ao lado de Carl. Então não ouse ficar aqui dizendo que eu roubei um homem que já não era mais seu.
Os lábios de Delphine tremeram. O peito subia e descia rapidamente enquanto ela tentava conter o choro, mas a raiva a mantinha ali. Ela olhou para Gabriel, como se implorasse para que ele dissesse algo — qualquer coisa — mas ele não disse.
Gabriel estava sentado calmamente no sofá, as pernas cruzadas, os braços dobrados sobre o peito. Sua expressão era indecifrável, quase distante, enquanto observava o drama se desenrolar. Ben e Peter estavam sentados ao lado dele, ambos silenciosamente entretidos.
Ben, sempre o mais bem-humorado, lutava para conter um sorriso, enquanto Peter, que raramente sorria, parecia levemente impressionado. Para ele, aquilo era melhor do que qualquer reality show. Ele respeitava a coragem de Isla, algo que considerava raro nas mulheres.
Isla, ainda de frente para Delphine, respirou fundo, com dificuldade, e continuou:
— E já que estamos falando de falta de vergonha… talvez você devesse se olhar no espelho, Delphine. Porque a única pessoa sem vergonha aqui é você. Depois de saber que eu era casada com Gabriel, depois que seu namorado famoso te largou, você voltou rastejando, tentando tirá-lo de mim.

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