— Bem, se você pensar por esse lado... — Disse Gabriel em voz baixa.
— Então sim, as coisas mudaram muito ultimamente. Tenho tentado consertar meu casamento, mas Isla… ela não está me deixando. Embora sinceramente, eu não possa culpá-la. Tudo o que deu errado foi culpa minha.
A sala ficou em silêncio por um momento. Gabriel se recostou, encarando o chão com o olhar vazio. Ele sentia falta da esposa. Sentia falta do calor dela, do riso, da forma como ela o olhava antes de tudo desmoronar. Tudo o que queria agora era que Isla voltasse a confiar nele, que acreditasse nele novamente. Só assim as coisas poderiam funcionar entre eles. Mas ela não acreditava. Não mais.
Ben o observava em silêncio. Ele não esperava ver esse lado de Gabriel, cansado, quebrado, ainda preso entre duas mulheres. O que mais o chocava era o fato de Gabriel ainda estar vendo Delphine depois de tudo o que aconteceu.
— Aquela mulher te traiu três anos atrás. — Disse Ben com firmeza, quebrando o silêncio.
— E te deixou logo depois. Eu entendo, você provavelmente tinha sentimentos fortes por ela naquela época, talvez algum senso de culpa ou lealdade. Mas vamos lá, cara. Você é casado agora. Não acha que já está na hora de quitar qualquer dívida que você acha que tem com Delphine e deixá-la ir?
As palavras dele foram diretas, talvez até duras, mas Gabriel entendeu cada uma delas. Ele nunca deveria ter permitido que Delphine voltasse para sua vida. Não depois de se casar com Isla.
Ele deveria apenas ter agradecido Delphine devidamente, talvez ajudado ela a recomeçar, e ido embora de vez. Em vez disso, permitiu que o passado envenenasse o presente.
Ben se inclinou um pouco para frente.
— Posso te fazer uma pergunta?
— Vá em frente. — Respondeu Gabriel, mudando de posição na cadeira.
Ben estudou seu rosto por um longo momento. O cansaço estava estampado nele. Olheiras, maxilar tenso e olhos inquietos. Ainda assim, Ben sorriu de leve e perguntou:
— Você ama Isla?
Gabriel congelou. Não era uma pergunta que ele esperava. Amor? Ele nem tinha certeza de como chamar o que sentia por ela. Ele a queria, disso ele tinha certeza. Não conseguia imaginar uma vida sem ela. Mas isso era amor?
— Eu não sei qual é a sua definição de amor, Ben. — Disse com honestidade.
— Mas eu gosto dela… muito. Ela é linda, forte e gentil. Eu me vejo envelhecendo ao lado dela. Eu quero isso.
— Hmm. — Murmurou Ben, recostando-se. Aquela resposta não o surpreendeu. O casamento de Gabriel e Isla sempre parecera complicado.
— E quanto à Delphine? — Perguntou de repente.
Gabriel franziu a testa.
— O que tem ela?
Ben inclinou a cabeça, estreitando levemente os olhos.
— Você a ama?
Gabriel ficou em silêncio por um momento. Pensou profundamente antes de responder.
— Não mais. Eu amei, ou pelo menos achei que amava. Mas agora… não. O que sinto por Delphine não é amor, é responsabilidade. E pretendo encerrar esse capítulo em breve.
Um sorriso se espalhou pelo rosto de Ben. Era a resposta que ele estava esperando.
— Ótimo. — Disse ele suavemente.
— Espero mesmo que você envelheça ao lado da sua esposa, como acabou de dizer.

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