O coração de Isla começou a disparar. O efeito que Gabriel tinha sobre ela estava se tornando algo que já não conseguia controlar. Seus dedos se apertaram em torno do celular até os nós dos dedos ficarem brancos.
— Você está bem? — A voz de Sofie interrompeu seus pensamentos.
— Sim, estou bem. — Respondeu Isla rapidamente. Mas o tom a denunciou que algo dentro dela havia mudado.
Ela se sentou no sofá e desembrulhou o sanduíche, dando uma mordida lenta. O gosto era sem graça, mas ela continuou mastigando. O café já estava frio, mesmo assim ela tomou alguns goles, perdida em pensamentos.
Sofie a observava atentamente. Algo claramente havia acontecido. Isla parecia distante, talvez até magoada. Qual poderia ser o problema? Por que aquela mudança repentina?
Sofie quis provocá-la de novo, mas ao ver a expressão vazia no rosto de Isla, ficou em silêncio. Talvez fosse melhor lhe dar espaço. Ainda assim, não conseguia parar de se perguntar o que estava errado.
Será que os rumores sobre a separação delas eram verdadeiros?
Mas Gabriel havia negado tudo diante de todos. Ele até falou sobre o quanto amava Isla. Então por que tudo entre eles parecia tão complicado?
A campainha tocou. Isla nem se mexeu. Sofie suspirou e foi atender.
Momentos depois, voltou com a comida chinesa que Isla havia pedido. Colocou as sacolas sobre a mesa com cuidado. Assim que Isla sentiu o cheiro, sua expressão suavizou um pouco. Sem dizer nada, começou a abrir as embalagens e a comer.
Sofie ficou ali parada, confusa. Como o humor de alguém podia mudar tão rápido? Num momento, ela parecia destruída; no outro, comia como se nada tivesse acontecido.
Sofie queria ajudar de qualquer forma possível, mas não sabia como. Isla claramente estava sofrendo mas escondia tudo por trás daquele rosto calmo.
Enquanto isso, Gabriel estava em seu escritório, cercado por pilhas de documentos e arquivos. Desde a coletiva de imprensa do dia anterior, ele havia se enterrado no trabalho. Queria manter a mente ocupada, e a melhor forma de fazer isso era trabalhar até ficar cansado demais para pensar.
Havia projetos demais esperando sua aprovação, contratos demais sobre a mesa. Ele se recostou na cadeira e esfregou as têmporas, o cansaço começando a aparecer.
Nesse momento, o telefone de mesa vibrou. Ele apertou o botão do viva-voz.
— Sim, Suzanne?
— Senhor, o senhor Benjamin Green está aqui para vê-lo. — Disse a secretária.
Gabriel fez uma pausa.
— Você disse quem?
— Senhor Benjamin Green, senhor.
Um sorriso surgiu lentamente em seus lábios.
— Claro. Deixe-o entrar.
Pouco depois, a porta se abriu e um homem alto entrou. O cabelo era preto como azeviche, curto nas laterais e um pouco mais comprido na frente. Os olhos castanhos brilhavam com malícia, e quando sorria, uma covinha surgia em sua bochecha. Ele estava elegante em um terno escuro sob medida.
— Ei. — Disse Gabriel, levantando-se imediatamente.
— Quando você voltou?
— Ontem à noite. — Respondeu Ben.
Eles se encontraram no meio do caminho e se abraçaram como irmãos que não se viam há anos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Extraordinária Noiva da Família Wyndham