Uma batida suave soou à porta do quarto da cobertura de Isla, em Wyndham Heights.
No começo, ela não se mexeu. Apenas virou para o outro lado da cama e enterrou o rosto mais fundo no travesseiro macio.
A batida veio novamente, leve, mas insistente.
Ela gemeu baixinho, o corpo ainda pesado de sono. Por fim, abriu os olhos e piscou diante da luz suave da manhã que entrava pela parede de vidro.
Sua cabeça latejava levemente. Ela tinha dormido muito tarde na noite anterior.
Depois que a mãe foi embora, passou quase a noite inteira reassistindo à entrevista de Gabriel na internet, de novo e de novo, até quase decorar cada palavra. A cada vez que via o vídeo, sentia orgulho, talvez dor, confusão ou saudade. Era estranho, depois de tudo o que ele a havia machucado. Ainda assim, ele conseguia despertar tantas emoções dentro dela.
Mesmo sabendo que ele fizera aquilo principalmente para impedir que os boatos se espalhassem ainda mais, aquilo ainda importava. Ele não precisava defendê-la publicamente, mas o fez. E isso significava algo para ela.
Mas ela odiava o fato de que isso ainda fazia seu coração acelerar.
Tudo o que ela queria naquela manhã era paz. Dormir para afastar os pensamentos, parar de reviver a forma como Gabriel a tocara e beijara. A maneira como ele fazia seu corpo se lembrar dele de formas que sua mente não queria.
A batida veio outra vez, agora mais forte.
Ela suspirou e sentou-se devagar, alongando os braços e bocejando.
— Quem é? — Perguntou, com a voz ainda sonolenta.
— Sou eu, Sofie. Posso entrar?
Isla esfregou os olhos e forçou um pequeno sorriso.
— Sofie? Sim, pode entrar.
A porta se abriu e Sofie entrou, carregando uma bandeja com uma xícara de café e um sanduíche de peixe bem embrulhado.
As sobrancelhas de Isla se franziram.
— Por que você não está no trabalho?
Sofie ignorou a pergunta a princípio. Colocou a bandeja com cuidado sobre a cama e sorriu de forma suave.
— Por favor, coma alguma coisa, Isla. Você não tem se alimentado direito há dias. Agora que tem um tempo para si mesma, precisa cuidar do seu corpo também.
Isla a olhou com desconfiança, cruzando os braços.
— Isso não responde à minha pergunta. Por que você não está no escritório, Sofie? E nem tente mentir para mim.
Sofie suspirou e ergueu as mãos em rendição.
— Tá bom, tá bom, calma, senhora.
— Não me chame assim. — Isla cortou, revirando os olhos.
— Certo. Isla — Sofie disse, com um sorriso.
— O diretor me ligou ontem. Disse que fui transferida para você, não apenas como sua assistente no Wardrobe, mas como sua assistente pessoal. Então, não importa onde você esteja, eu continuo trabalhando para você. Até como sua governanta. E sim, continuarei sendo paga.
A boca de Isla se abriu um pouco.
— E você concordou com isso?
Sofie deu de ombros, meio que sorrindo.
— Claro. Entre você e eu, prefiro trabalhar para você do que pisar naquele escritório novamente. Delphine voltou ao trabalho ontem, e o ambiente já está tóxico. Todo mundo anda pisando em ovos. Eu não suporto ela.
Isla soltou um longo suspiro e apertou os lábios.
— Sinto muito, Sofie. Sei como isso deve ser difícil.
Sofie fez um gesto com a mão.
— Não se desculpe. Eu fiz minha escolha.
Mas Isla franziu a testa, inclinando-se para frente.

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