A voz de Anna encheu a sala como uma tempestade. Ela encarava a televisão com fúria enquanto a coletiva de imprensa de Gabriel passava na tela. Cada palavra dita por seu filho parecia uma lâmina, destinada a cortar seu orgulho.
— Idiota! — Ela cuspiu para a tela.
— Imbecil!
Sua assistente pessoal, Stephanie, permanecia próxima à porta, pequena e cautelosa dentro do grandioso escritório. Ela aprendera há muito tempo a reconhecer os humores de Anna: aquele claramente era um dos dias perigosos.
— Quando foi isso? — Anna exigiu uma resposta, o olhar cortante voltado para Stephanie.
— Há poucos minutos, senhora. É uma transmissão ao vivo. — Respondeu Stephanie, mantendo a voz controlada. Evitou encará-la. Era mais seguro assim.
As narinas de Anna se abriram. Sua respiração saiu curta e furiosa.
— Como ele pôde dizer ao público o que eu disse não estava de acordo com um pronunciamento oficiail? O que exatamente ele quis dizer com isso? Ele está me chamando de louca? — As palavras saíam rápidas, cada uma carregada de orgulho ferido.
Stephanie aguardou ordens, as mãos entrelaçadas à frente do corpo.
— Há algo que a senhora gostaria que eu fizesse? — Perguntou em tom baixo, cuidando para não parecer ansiosa demais.
Anna fitou a tela por alguns longos segundos, e então, com um gesto pequeno e controlado, dispensou-a.
— Vá. Saia. — Sua voz estava mais do que fria, estava gélida.
— Quero ficar sozinha.
Stephanie se curvou e recuou. Virou-se, estendeu a mão para a porta, mas parou quando Anna a chamou:
— E avise a todos que não quero ser incomodada hoje.
— Anotado, senhora. — Respondeu Stephanie, antes que a porta se fechasse com um clique.
Assim que ficou sozinha, Stephanie puxou o celular e discou um número. Falou em voz baixa e objetiva:
— Pode seguir as instruções dele. Agora.
Desligou, recostou-se na cadeira e um sorriso pequeno e cruel se formou no canto de seus lábios. O jogo estava em movimento.
O telefone de mesa voltou a tocar. Os dedos de Stephanie alcançaram o aparelho antes mesmo que ela pensasse.
— Sim, senhora? — Atendeu.
— Venha ao meu escritório. Agora! — A voz de Anna soava alta demais.
Stephanie se levantou imediatamente. Alisou o vestido, conferiu o cabelo no espelho do corredor e retornou ao escritório de Anna, batendo na porta por hábito, embora não fosse necessário.
— Sim, senhora? — Disse.
Anna não olhou para ela. Seus olhos estavam fixos na televisão, onde comentaristas desmontavam a declaração de Gabriel palavra por palavra.
— Um analista sugeriu que a senhora Anna Wyndham pode não estar mentalmente bem. — Disse um âncora, em tom cauteloso.
— Se o filho insinuou que as palavras da mãe não são confiáveis, o público certamente tirará suas próprias conclusões.
Outro comentarista assentiu com seriedade.

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