Natureza e luxo convergiam na propriedade Wyndham naquele dia claro e belo. Os jardins respiravam com uma vitalidade suave e cara, e a piscina externa era um espelho de luz dançante sob o sol. As crianças a preenchiam com risadas enquanto brincavam sob a supervisão cuidadosa de suas babás.
Não muito longe da piscina, as senhoras idosas da família sentavam-se juntas sob grandes guarda-sóis de jardim, desfrutando de um chá de fim de manhã. Suas vozes eram calmas e ponderadas enquanto falavam sobre memórias antigas e assuntos de família.
Em outro lado do jardim, uma reunião mais estruturada estava acontecendo.
Isla sentava-se ao centro, liderando a discussão. Ao seu redor estavam membros da família e uma organizadora de casamentos profissional, Vivienne Laurent, que ouvia atentamente enquanto fazia anotações. A mesa entre eles estava repleta de lanches leves e coquetéis cuidadosamente preparados.
Todos estavam sentados sob amplos toldos artificiais que suavizavam o calor do dia.
Mercy sentava-se ao lado de Aurelian. Suas mãos estavam entrelaçadas, descansando naturalmente entre eles, como se separá-las parecesse antinatural. O polegar de Aurelian movia-se gentilmente sobre os dedos dela de tempos em tempos, um gesto silencioso que não passava despercebido.
Perto dali, Sebastian sentava-se com Ava da mesma maneira, a proximidade deles espelhando a de Aurelian e Mercy. Kenneth e Elara não eram diferentes. O vínculo entre os casais era claro para qualquer um que observasse. A atmosfera era pacífica e natural.
Kendrick aproximou-se silenciosamente por trás. Ele cumprimentou Isla respeitosamente antes de se inclinar para sussurrar algo em seu ouvido.
A mudança na expressão de Isla foi instantânea. Uma leve careta formou-se em seu rosto enquanto ela se levantava.
— Eu volto num instante. — Disse calmamente.
Ela se desculpou e afastou-se com Kendrick. Aurelian percebeu a expressão desagradável de sua mãe. Ele soltou a mão de Mercy lentamente, sua atenção já mudando. Havia algo no rosto de sua mãe de que ele não gostava. Sem hesitar, ele se levantou.
— Com licença. — Disse a ninguém em particular. E então, seguiu-os.
Aurelian não tratava assuntos concernentes à sua família com leviandade. Ele já podia notar que algo estava errado.
***
Do lado de fora da mansão Wyndham, um SUV preto estava estacionado perto da entrada. Pessoal de segurança permanecia em seus postos designados, alertas e disciplinados. Estava claro que quem quer que tivesse chegado já estava lá dentro.
Isla entrou na casa com Kendrick, e Aurelian seguiu logo atrás. Eles moveram-se pelo corredor até chegarem ao escritório particular de Gabriel.
Lá dentro, Gabriel estava sentado. Ao seu lado estava seu pai, John Wyndham. E sentada à frente deles estava uma mulher que Isla reconheceu imediatamente.
A matriarca da família Townsend.
Evelyn Townsend.
Kendrick fechou a porta suavemente após Isla entrar. Então, ele se virou e encontrou Aurelian se aproximando.
— Senhor. — Cumprimentou Kendrick com um aceno.
— O que está acontecendo? — Perguntou Aurelian.
— Seu pai tem uma visita. — Respondeu Kendrick.
— Pediram-me para chamar sua mãe também.
— Quem é a visita? — Aurelian perguntou.
Kendrick hesitou levemente.
— Acredito que seja a senhora Townsend.
As sobrancelhas de Aurelian se uniram.
— O que ela quer?
A pergunta não era para Kendrick; era direcionada a si mesmo. Kendrick entendeu e nada disse. Ambos permaneceram do lado de fora do escritório. Esperando.
A situação era incomum, as famílias Wyndham e Townsend eram rivais há anos. O conflito não era recente; existia há décadas. Ainda havia uma disputa de terras não resolvida entre eles, atualmente presa nos tribunais. Ver Evelyn Townsend entrar na propriedade Wyndham sem ser convidada não era normal. Significava algo sério.
O telefone de Kendrick tocou. O som cortou a tensão silenciosa. Ele atendeu imediatamente.
— Sim, senhor. — Ele ouviu.
— Entendido. Eu cuidarei disso. — Então ele encerrou a chamada.
Aurelian olhou para ele.
— O que foi?
A expressão de Kendrick mudara. Ele baixou o olhar ligeiramente. — Pediram-me para trazer sua esposa ao escritório.
Aurelian franziu a testa.
— Por quê?
— Eu não sei, senhor.
Aquilo foi o suficiente. Aurelian confiava em sua família, mas se aquela situação envolvia Mercy, então ele precisava estar presente. Sem esperar mais, ele bateu uma vez e empurrou a porta.
Então ele entrou. Todos os olhos se voltaram para ele.
Mas Aurelian já estava olhando para a mulher sentada do outro lado da sala. Ele a reconheceu porque a encontrara uma vez antes. Uma mulher astuta e calculista que lhe dissera, anos atrás, que ele sabia demais para a sua idade.
Ele não esquecera.
— Se existe alguém que pode te ajudar hoje, é o meu neto.
O sorriso de Evelyn desapareceu.
— O que você quer dizer com isso? — Perguntou.
John gesticulou levemente em direção a Aurelian.
— Meu neto é casado com a Mercy, sua neta. Se alguém pode convencê-la a te ouvir, será ele.
Os olhos de Evelyn arregalaram-se levemente. Ela voltou-se para Aurelian.
— Minha neta... é casada com seu neto? — Perguntou ela surpresa.
— Fui informada de que eles estavam prestes a se casar. — Acrescentou com mais cautela.
— Isso está correto. — Respondeu John calmamente.
— Então o que você está dizendo? — Perguntou Evelyn.
— Por que está dizendo que já estão casados?
John não hesitou.
— Porque estão. Estão legalmente casados. A cerimônia que estamos planejando é apenas uma celebração. Nada mais.
Evelyn fechou os olhos brevemente. Aquilo não era o que ela esperava. Seus planos foram construídos sobre informações diferentes.
Naquele momento, houve uma batida na porta. Então ela se abriu. Mercy entrou. E o clima na sala mudou instantaneamente. Toda a atenção voltou-se para ela. Evelyn não desviou o olhar. Ela encarou, seus olhos estudaram o rosto de Mercy cuidadosamente.
E bem ali, ela viu. A semelhança. O reflexo de alguém que ela havia perdido. Sua falecida nora. Era inconfundível.
Um sorriso lento formou-se no rosto de Evelyn.
— Minha neta. — Disse ela suavemente.
Mercy parou. Suas sobrancelhas se uniram levemente. Confusão preenchia sua expressão. Ela olhou entre os rostos na sala. Depois voltou para Evelyn.
— Neta? — Repetiu baixinho.
A palavra não fazia sentido. Pelo menos, ainda não. Mas algo já havia começado a mudar.

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