— Olhe só quem voltou. — Betty, a irmã de Isla, comentou com um sorriso provocador enquanto Isla e Betsy se aproximavam do camarote vip. — Como você conseguiu desencontrar o seu marido? Ele estava bem aqui no momento em que você se afastou, perguntando por você.
Isla pareceu confusa, seu olhar travando em Gabriel, que estava sentado casualmente entre o grupo, sua camisa de seda desabotoada o suficiente para revelar um vislumbre de seu peito. A confusão girava em sua mente como uma tempestade, espessa e desorientadora.
Será que ela estava enlouquecendo? O álcool teria distorcido seus sentidos? As palavras de Betty ecoavam, Gabriel estivera ali o tempo todo. Mas aquilo não podia estar certo. O homem que ela viu com Delphine, aquele cujos gemidos ela ouviu... parecia tão real, tão devastadoramente familiar.
— Meu amor, você está bem? — A voz de Gabriel cortou a névoa, suas sobrancelhas franzidas em uma preocupação genuína. Ele se levantou levemente do assento, estendendo a mão como se quisesse diminuir a distância, sentindo o turbulento conflito estampado no rosto dela. O coração de Isla martelava; uma mistura de alívio e uma nova dúvida desabava sobre ela. Ele parecia preocupado e não culpado, seus olhos escuros buscavam os dela com aquela intensidade protetora que ela conhecia tão bem.
Betsy, ainda balançando devido às bebidas, passou por Isla e entrou no camarote, sua risada borbulhando em surtos desajeitados.
— O Gabriel está aqui? Então quem diabos estava comendo a Delphine? A Isla está tendo um treco total! — Suas palavras saíram arrastadas e sem filtro, pairando no ar como uma explosão.
— O quê? — A cabeça de Gabriel virou-se bruscamente, sua expressão mudando de confusão para alarme. O camarote mergulhou no silêncio; a música pulsante do clube de repente pareceu distante e irrelevante.
— A Betsy bebeu demais hoje à noite. — Betty interveio rapidamente, com um tom leve, mas forçado, tentando diminuir a tensão. Ela lançou um olhar de advertência para Betsy.
— Acho que é hora dela ir para a cama.
— Eu pensei que ela estivesse grávida? Por que diabos ela beberia assim no estado dela? — Maya expressou seu espanto, inclinando-se para frente com os olhos arregalados, a mão repousando protetoramente sobre a própria barriga, como em empatia.
Em meio ao falatório, a mente de Gabriel corria, refletindo sobre o desabafo de Betsy. Algo estava profundamente errado, o olhar distante de Isla, a forma como suas mãos tremiam levemente. Ele precisava de respostas, mas o nó em seu estômago o alertava para problemas iminentes.
Isla, enquanto isso, sentia sua confusão aprofundar-se em um redemoinho vertiginoso. Seu marido estava ali mesmo, sóbrio e presente. Mas ele não estava de smoking como o homem que ela viu mais cedo, aquele grudado com Delphine naquele corredor. Gabriel usava sua habitual camisa de seda e calças escuras. A divergência dos fatos a atingiu como uma onda fria. O que estava acontecendo? Ela teria imaginado tudo? Sua respiração acelerou; o pânico subia conforme a dúvida corroía sua certeza.
Sem dizer uma palavra, ela girou nos calcanhares e se afastou, seus saltos clicando agudamente contra o chão enquanto se dirigia para as bordas mais silenciosas do clube. As risadas do camarote desapareceram atrás dela, mas o peso de medos não ditos a pressionava.
— Isla! — Chamou Gabriel, sua voz firme e urgente. Ele se levantou totalmente, indo atrás dela com passos longos e determinados.
— Pare de andar e fale comigo, agora mesmo.
Seu comando ecoou, cortando o som da música e das conversas, carregado de uma autoridade que exigia atenção. Não era raiva, mas um tom bruto de preocupação que fazia as cabeças se virarem.

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