Mesmo que o champanhe tivesse deixado Isla tonta e instável, ela tinha certeza do que seus olhos haviam captadoa imagem de Delphine, elegante e serena como sempre, escapulindo com aquele homem.
Os detalhes do rosto dele estavam borrados em sua memória, perdidos no nevoeiro das luzes baixas do clube e de seu próprio torpor, mas eles haviam desaparecido rápido demais para que ela pudesse identificá-lo. Seu coração acelerou com uma curiosidade persistente, atraindo-a para as profundezas do reflexo do corredor.
Ela vasculhou os corredores, espiando pelos cantos e passando por grupos de convidados que conversavam, seus saltos ecoando suavemente contra o chão de mármore. A música do clube principal pulsava fracamente ao longe, mas aqui tudo parecia diferente, cheio de segredos.
Minutos se passaram e sua busca tornava-se frenética, porém sem resultados. Eles haviam sumido, engolidos pelo desenho do hotel que mais parecia um labirinto. Com um suspiro frustrado, Isla parou, balançando a cabeça para clarear a névoa.
— Delphine não é importante. — Murmurou para si mesma, tentando descartar o mal-estar que se contorcia em seu estômago. — No que eu estava pensando, perseguindo o nada desse jeito?
— Onde fica o banheiro? — A voz de Betsy soou arrastada atrás dela, interrompendo os pensamentos de Isla. Sua amiga apoiava-se na parede, com os olhos vidrados e sem foco, o álcool a atingira com mais força do que o esperado. Ela cambaleou um passo, rindo da própria instabilidade.
Isla voltou ao momento presente, a preocupação aguçando seu foco. Betsy parecia completamente bêbada, com as bochechas coradas e o vestido levemente desalinhado.
— Venha, vamos encontrar o caminho de volta para o banheiro. — Disse Isla gentilmente, estendendo a mão para segurar a de Betsy. Ela estabilizou a amiga, virando-as para o que esperava ser o caminho certo, enquanto o ar fresco do corredor pouco fazia para sobressair a sobriedade de qualquer uma das duas.
Mas um som repentino e inconfundível deteve as duas, um gemido baixo e gutural ecoando de uma porta próxima, abafado, porém penetrante no corredor silencioso. Isla congelou, seu aperto endurecendo na mão de Betsy. A voz era familiar, íntima de uma forma que gelou até mesmo as suas veias.
— Espere... essa voz. É a da Delphine. — Sussurrou Isla, o fôlego preso conforme o reconhecimento a atingia como um soco.
— Delphine? Que Delphine? — Betsy piscou, a confusão franzindo sua testa, mas estava tonta demais para captar a urgência.
Isla soltou a mão de Betsy e moveu-se por instinto, atraída pelos sons que aumentavam de intensidade. Cada passo amplificava o ruído, os gemidos tornando-se mais altos, mais desesperados, carregados de uma necessidade crua. Seu pulso disparou, um nó de pavor formando-se em seu estômago enquanto ela se aproximava da porta entreaberta de um lounge privado ou suíte.
— Porra, Gabby, mais rápido, por favor... eu senti falta disso. Senti falta de nós. — A voz de Delphine saiu sem fôlego e suplicante, as palavras cortando o ar como uma lâmina.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Extraordinária Noiva da Família Wyndham