— Que nojento. — Continuou Isla, sua voz cheia de desprezo, os olhos ardendo com uma mistura de fúria e vindicação.
— Quão baixa e sem vergonha você pode ser Delphine?
Delphine a encarou de volta, uma das mãos esfregando instintivamente o lugar latejante em sua bochecha onde Isla a esbofeteara. A dor era aguda, mas empalidecia diante da humilhação que inundava suas veias, quente e implacável. Seu peito subia e descia em respirações rasas, sua fachada cuidadosamente construída desmoronando sob o peso da exposição.
— Você quase me enganou. — Insistiu Isla, o tom agora firme, tingido por uma percepção amarga.
— Por um momento, quase acreditei que o Carl fosse o Gabriel. Mas então me ocorreu que meu marido tem um sósia, alguém que já foi seu amante. Agora tudo faz sentido. Aqueles vídeos que você me enviou? São falsos. Não era o Gabriel com você, gemendo o nome dele como em alguma fantasia doentia. Era Carl Hompton, a estrela de cinema. Seu ex.
— De que vídeos você está falando? — Gabriel interveio, sua voz baixa e perigosa. Seu olhar mudou de Isla para Delphine com uma intensidade que tornou o ar mais pesado. A confusão se contorcia em seu estômago, mas sob ela, fervilhava uma raiva crescente; as peças dessa decepção começavam a se encaixar.
Os olhos de Delphine se mexiam olhando pelo corredor, o desespero surgindo enquanto ela buscava uma fuga da vergonha sufocante. Seu coração batia descontroladamente, as bochechas coradas de vergonha. Ela não suportava o julgamento nos olhares deles, a maneira como suas mentiras se desfaziam fio a fio.
Carl, sentindo a mesma armadilha se fechar, virou-se bruscamente para escapar entre a multidão. Mas Stone foi mais rápido; sua mão grande fechou-se no braço de Carl como uma prensa, segurando-o firme.
— Nada de pressa. — Rosnou Stone, sua expressão implacável, garantindo que nenhum deles fugisse das consequências.
Foi então que Isla soltou uma risada, uma gargalhada alta e incrédula que ecoou pelas paredes, cortando a tensão como se fosse uma válvula de escape. Não era alegria, mas um som que trazia alívio emocional, nascido do absurdo de toda aquela situação, o alívio da verdade atravessando a dor que sentia antes.
Ela se voltou para Gabriel, suas feições suavizando-se instantaneamente, a raiva derretendo em uma vulnerabilidade terna ao encontrar os olhos dele. Amor e confiança brilhavam em seu olhar, ancorando-a no momento.
— Se lembra do dia em que te liguei para lembrar do aniversário dos meus pais? — Perguntou ela gentilmente, a voz carregando o peso daquela memória dolorosa.
— O que tem isso? — Gabriel respondeu, inclinando-se levemente, as sobrancelhas franzidas em foco, ansioso para entender a tempestade que assolara o coração dela.
— De alguma forma, a Delphine pegou o seu telefone e me atendeu. — Explicou Isla, com as palavras pausadas, mas carregadas de uma mágoa remanescente.
— Logo depois, ela me enviou dois vídeos explícitos, mostrando o que eu pensei ser você e ela juntos. Ela estava gemendo o seu nome, fazendo parecer tão real. Aquilo me destruiu, Gabriel. Eu acreditei no que vi.
O maxilar de Gabriel travou, um músculo saltando em sua bochecha enquanto a fúria se incendiava em seu peito como um incêndio florestal. Seu olhar fixou-se em Delphine e Carl, sombrio e aterrorizante, prometendo retribuição. A traição doía profundamente, não apenas pelas mentiras, mas pela audácia de arrastar seu nome por tamanha sujeira. Ele soltou uma risada sombria, balançando a cabeça em descrença, o som áspero e carregado de ameaça.
— Você dormiu com outro homem no dia em que esqueci meu telefone? — Disse ele para Delphine, a voz pingando escárnio. Ele riu de novo, mais frio desta vez, conforme a magnitude do engano dela era absorvida.
— Você não fez apenas isso, ainda teve a ousadia de ligar para a minha esposa e enviar a ela o vídeo de você e do seu... seja lá o que ele for para você agora.
Ele soltou um som de desgosto, a raiva transbordando, as mãos fechadas em punhos ao lado do corpo.
— Eu nunca me arrependi de ter te rejeitado, não importa o quanto você insistisse. Eu nunca consegui me forçar a tocar em você, Delphine. Nem uma única vez.
Isla ofegou baixinho, o fôlego preso na garganta. Ouvir ele confirmar que nunca cruzara aquela linha enviou uma onda de calor por ela; seu coração inchou com um alívio e adoração avassaladores. A dúvida que a corroera por tanto tempo dissolveu-se, substituída por um profundo senso de segurança no laço deles. Lágrimas arderam em seus olhos, mas agora eram de alegria, não de dor.

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