Naquela manhã, Isla estava com o espírito mais leve.
A cor retornara lentamente às suas bochechas, e embora seus olhos ainda carregassem um pouco de melancolia, ela estava calma, com a mente firme.
Sentou-se com Gabriel na cama, com o telefone nas mãos. Com um dedo trêmulo, ela pressionou o play no gravador de voz.
Gabriel inclinou-se para a frente, os cotovelos nos joelhos, a mandíbula contraindo-se enquanto ouvia as vozes. Os gritos e as palavras gélidas de Anna ecoavam pelo alto-falante do aparelho.
Nos primeiros minutos, ele ouviu em silêncio. Seus olhos estavam sombrios e fixos. O som da voz de Isla chorando, lutando, e o tom perverso de Anna preencheram o quarto.
A respiração de Gabriel travou no peito. Seus punhos se cerraram. E quando o clamor de Isla ecoou novamente pelo telefone
"Por favor, não machuque o meu bebê."
Ele não conseguiu mais suportar.
Ele tomou o aparelho da mão dela e interrompeu a gravação. Seus olhos inundaram-se de lágrimas.
O quarto mergulhou em uma quietude absoluta por um tempo.
Gabriel pousou o telefone suavemente sobre a mesa de cabeceira e voltou-se para a esposa. Sem dizer uma palavra, puxou Isla para seus braços, apertando-a com força. Ela já soluçava novamente; desta vez, eram soluços baixos e dolorosos que sacudiam seu corpo.
— Sinto muito. — Sussurrou ele, a voz embargada.
— Sinto tanto que você tenha passado por tudo isso.
Sua voz vibrava contra o ouvido dela.
— Eu nunca deveria ter deixado você sozinha com o vovô. Eu deveria estar lá com você, Isla. Deveria ter te protegido. A culpa é toda minha.
Suas mãos tremiam enquanto a segurava. Ela conseguia sentir o coração dele martelando contra sua bochecha, um som pesado de culpa.
Isla afastou-se lentamente, seus olhos azuis marejados encontrando os dele.
— Eu já te disse: não é sua culpa. — Disse ela suavemente.
— Nada disso é culpa sua ou do vovô. Anna planejou essa maldade sozinha. Foi tudo ela.
A respiração de Gabriel saiu entrecortada. Suas mãos deixaram a cintura dela e subiram para envolver seu rosto com delicadeza. Seus polegares secaram as bochechas úmidas.
Ele fixou o olhar no dela por um longo momento.
— Eu lhe prometo — disse ele em voz baixa, porém firme —, ela será punida pelo que fez. Severamente. Mas você precisa me prometer uma coisa em troca.
Isla piscou, os olhos brilhando.
— O que é?
— Prometa-me que cuidará de si mesma. Que se manterá segura, por mim.
— Eu prometo. — Sussurrou ela.
Ele assentiu levemente, roçando o polegar pelos lábios dela.
— Ótimo.
Ele inclinou-se e beijou-a com doçura. Não foi um beijo apaixonado, apenas uma pressão suave e constante de reafirmação.
— E também — murmurou ele contra os lábios dela —, não saia desta propriedade. Fique aqui com suas amigas. Se precisar de qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, ligue para mim ou para o Stone imediatamente. Entendeu?
— Sim. — Disse ela baixinho. — Eu entendo.
Gabriel beijou-a novamente, desta vez por mais tempo, então se afastou e esboçou um sorriso fraco.
— Vou sair agora. — Disse ele.
— Ligo para saber como você está mais tarde.
Ela assentiu, observando-o pegar o casaco e deixar o quarto. A porta fechou-se atrás dele com um clique suave.
Por um instante, Isla apenas ficou ali sentada, com o coração ainda acelerado e a mente pesada. Então, soltou um longo suspiro, como alguém que se liberta de uma dor insuportável de uma só vez. Lentamente, ela se levantou e desapareceu no banheiro.
O som acolhedor da água correndo logo preencheu o silêncio.
Algumas horas depois…
— Como ele está? — Gabriel perguntou ao entrar no escritório do pai.


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