Naquela noite, todos acabaram indo embora. Mas Sofie e Betsy ficaram para trás. Elas não conseguiam se retirar e deixar Isla naquele estado, não depois de tudo o que acontecera. Ambas sabiam que ela precisava de alguém por perto, alguém que se sentasse ao seu lado durante o silêncio.
Pela manhã, a mansão parecia mais calma. O sol filtrava-se pelas paredes de vidro da sala de jantar, pintando tudo de dourado. Gabriel e Isla sentavam-se juntos à longa mesa de jantar de mármore. Sofie e Betsy juntaram-se a eles; o tilintar dos talheres e o murmúrio suave da conversa preenchiam o espaço.
Madalena e as criadas moviam-se silenciosamente ao fundo, servindo suco fresco e pães doces de café da manhã. No entanto, apesar do ambiente acolhedor, o peso do luto ainda pairava como uma névoa.
Conversavam sobre assuntos leves: a mudança repentina no tempo, fragmentos de notícias. Qualquer coisa para fazer Isla sorrir novamente. Mas o riso dela era tênue, o sorriso fraco, como se ela tivesse esquecido qual era a sensação de ser feliz. Gabriel a observava de perto, com o coração despedaçando-se em silêncio.
Ele vinha fazendo um bom trabalho ao esconder sua dor. Seu sorriso e seu tom calmo eram apenas uma máscara. Por dentro, ele estava dilacerado. Sabia que levaria tempo até ver sua Isla brilhante e alegre novamente.
Após uma pausa, ele limpou a garganta.
— Não sei quanto tempo vocês duas planejam ficar — começou ele, voltando-se para Betsy —, mas, se não for pedir muito, você poderia tirar uma semana de folga do trabalho? Estarei muito ocupado nos próximos dias e preciso que ela esteja perto de pessoas em quem confio.
Betsy não hesitou.
— É claro que posso fazer isso. — Disse ela rapidamente. — Eu já planejava ficar mais alguns dias de qualquer maneira, então não se preocupe. Ela ficará bem.
Os ombros de Gabriel relaxaram um pouco.
— Obrigado, eu agradeço muito. — Disse ele baixinho.
Betsy sorriu com doçura.
— Você não precisa me agradecer por nada, Gabriel. Isla é a irmã que eu nunca tive. O bem-estar e a felicidade dela são minha maior preocupação.
Sofie fungou de repente, com a voz trêmula.
— Ela está sofrendo, não suporto vê-la assim. — Disse ela, com lágrimas escorrendo pelas bochechas.
— Sofie, por favor. — Betsy repreendeu gentilmente. — Você não ajuda em nada chorando.
Sofie assentiu, limpando os olhos rapidamente, mas seus lábios tremeram enquanto ela se esforçava para permanecer em silêncio.
A porta abriu-se naquele momento, quebrando a tensão. Madalena entrou com sua compostura habitual.
— Senhor Wyndham — anunciou ela —, o senhor Sterling e o senhor Green estão aqui para vê-lo.
Gabriel assentiu.
— Por favor, deixe-os entrar. Eu já estava os esperando.
Madalena fez uma reverência respeitosa e saiu. Poucos segundos depois, a porta abriu-se novamente e duas figuras familiares entraram: Peter Sterling e Ben Green, os amigos mais próximos de Gabriel.
Suas expressões, geralmente brilhantes e confiantes, estavam sobrecarregadas pelo pesar. Eles moveram-se silenciosamente, sua presença suavizando instantaneamente a atmosfera do ambiente.
Ben foi o primeiro a se aproximar de Gabriel. Ele envolveu o amigo em um abraço firme, murmurando algo suave que apenas Gabriel pôde ouvir. Peter foi direto para Isla, sentando-se ao lado dela. Sua voz era baixa, gentil e confortante. Isla ouvia, assentindo de vez em quando. Ela até conseguiu esboçar um pequeno sorriso, embora ele não tenha alcançado seus olhos.
Peter conseguia enxergar a dor dela. A dor de perder um filho.
Ben, por outro lado, nunca fora do tipo que oferecia condolências silenciosas. Ele acreditava em derrubar muros com risadas, não com lágrimas. E, ao se voltar para Isla, aquele brilho familiar retornou aos seus olhos.
— Vamos lá, minha guerreira. — Disse Ben em seu tom provocador de sempre, parando diante dela.
— Não deixe que isso a emudeça. Você deveria estar trabalhando para fazer mais bebês agora, não se afogando em tristeza.
O quarto congelou. Todas as cabeças voltaram-se para ele ao mesmo tempo.
— Ben! — Várias vozes coroaram em uníssono: Gabriel, Betsy, até mesmo Sofie. Os olhares deles poderiam tê-lo incinerado.
Mas Ben apenas deu de ombros.
— O quê? — Perguntou ele, em um tom ainda brincalhão, mas sincero.
— Estou fazendo o que o resto de vocês está com medo de fazer. Estou tentando fazer minha amiga se sentir viva de novo. E acreditem em mim: ela precisa disso.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Extraordinária Noiva da Família Wyndham