Isla saiu do escritório de Alfred com o coração batendo tão forte que ela quase podia ouvir o eco em seus próprios ouvidos.
Ela fez uma pausa do lado de fora da porta, respirando fundo e de forma trêmula. Passou a mão pelos olhos, secando o leve rastro de lágrimas antes que alguém as visse. Forçou-se a ficar ereta, alisando a frente de seu vestido cor de mel, ajeitando o cabelo e tentando acalmar os dedos que insistiam em tremer.
Ela precisava parecer composta. Ninguém podia saber o que ela acabara de ouvir dentro daquela sala.
Isla sabia de coisas demais agora, coisas que desejava nunca ter descoberto. Porque saber significava fingir. E fingir significava carregar um segredo tão perigoso que poderia destruir a família Wyndham se uma única palavra escapasse.
Seu peito apertou. Ela piscou para afastar a umidade dos olhos e começou a caminhar pelo longo corredor em direção à sala de estar da família.
Antes que pudesse cruzar a próxima passagem, uma mão forte agarrou seu braço e a puxou para o lado.
— O qu... —
No segundo seguinte, ela estava dentro de outro cômodo. A porta foi batida atrás dela e trancada com um estalo seco e definitivo.
Seu pulso disparou. A escuridão repentina a deixou tonta, mas seus instintos agiram rápido. Ela girou bruscamente, pressionando as costas contra a parede, sua mão já tateando o interior da bolsa.
Anna Wyndham estava ali. Seus olhos brilhavam como brasas.
— Você — cuspiu Anna, a voz afiada e tremendo de fúria —, você me fez parecer uma idiota na frente da minha família!
Isla congelou, atordoada por um batimento cardíaco antes que suas sobrancelhas se franzissem com força. Ela mal conseguia compreender a loucura estampada no rosto daquela mulher.
— Ouça bem, Isla. — Sibilou Anna enquanto se aproximava..
— Você não me conhece. Se conhecesse, não ousaria dar uma de esperta comigo. Esta é a sua última chance: vá embora agora, enquanto eu ainda estou sendo generosa, antes que seja tarde demais...
— Para me sequestrar? — Isla cortou bruscamente, a voz carregada de uma fúria silenciosa.
— E tirar o meu filho de mim... para entregá-lo à Delphine?
Anna congelou. Sua expressão vacilou.
— Perdão? — Retrucou ela, mas seu tom estava mais fraco. Ela claramente não esperava por aquela resposta.
Os lábios de Isla se curvaram levemente, embora seu coração martelasse contra o peito. Ela deu um passo à frente, seus olhos azuis cravados nos de Anna.
— Eu só ajudei você a terminar a frase, não era exatamente isso que você estava prestes a dizer? — Disse friamente.
Anna deu um passo involuntário para trás. As palavras de Isla atingiram o alvo com precisão cirúrgica. Sua mente corria: seria um palpite ou aquela garota realmente sabia algo que não deveria?
A confusão lampejou no rosto de Anna. Seus lábios tremeram enquanto ela lutava para mascarar o medo com a raiva. Ela parecia prestes a desmaiar mas o orgulho a manteve de pé.
Isla não se afastou. Ela invadiu o espaço de Anna novamente, o queixo ligeiramente erguido.
— Nunca pense que você tem o poder ou o direito de me empurrar, Anna. — Disse Isla, em um tom ríspido, porém calmo.
Sua voz era baixa e firme, e a maneira como ela pronunciou "Anna" carregava todo o peso do desrespeito que a mulher mais velha merecia. Nada de "mãe". Não mais. Não depois de tudo o que agora sabia.
Os olhos de Anna se estreitaram, e então uma risada amarga e sem humor escapou de sua garganta. Era o tipo de risada que gelava o ambiente.
— Oh, você ficou corajosa, não foi? — Desdenhou ela. Sua voz caiu para um sussurro destilado em veneno.
Seu rosto se contorceu, seus olhos escureceram, como se todo o ódio que ela já escondera viesse à tona.
Isla sentiu a raiva dela. Um pavor frio rastejou por sua espinha. Uma parte dela gritava para correr; outra a instigava a manter sua posição.
Mas ela não podia se dar ao luxo de arriscar. Não agora. Não quando estava grávida.


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