Os instintos de sobrevivência de Isla agiram antes mesmo que sua mente pudesse processar o que estava acontecendo. Seu corpo moveu-se por conta própria, em um reflexo rápido e desesperado.
Sua perna se moveu para cima, atingindo o braço de Anna com cada grama de força que lhe restava. O impacto causou um baque surdo, e algo voou da mão de Anna, chacoalhando pelo chão ao lado delas.
O olhar de Isla acompanhou o objeto, e foi então que ela o viu com clareza.
Não era uma faca. Tampouco uma arma de fogo. Era uma arma de choque, um taser.
A respiração dela travou na garganta. O choque reluziu em seus olhos. Uma arma de choque? Do tipo que as autoridades usam para conter criminosos violentos?
Antes que pudesse raciocinar, Anna abaixou-se com agilidade, recuperando o objeto.
— Fique longe de mim! — Gritou Isla, com a voz tremendo enquanto vasculhava o pequeno depósito em busca de algo que pudesse usar. Seu coração trovejava em seus ouvidos. Ela olhou ao redor, desesperadamente.
Procurava por qualquer coisa para se defender.
Um cabo de vassoura de madeira grossa estava encostado no canto da parede. Velho, gasto, mas forte o suficiente para servir de defesa.
Ela lançou-se sobre ele.
A voz de Anna sibilou pelo ar:
— Nem ouse...
Mas Isla não parou. Seus dedos fecharam-se em torno da madeira fria, apertando-a com força. Ela girou, com o peito arfando, segurando o cabo à sua frente como uma arma.
— Se afaste!— Alertou ela, a voz oscilante, mas feroz.
— Estou avisando, Anna. Não dê mais um passo, ou eu juro que vou usar este pedaço de pau contra você!
Anna congelou por um segundo. Não era assim que ela havia planejado. Tudo estava escapando de seu controle e o tempo estava se esgotando. A fúria em seus olhos ardeu com mais intensidade.
Isla manteve-se firme, observando-a cuidadosamente, lendo cada lampejo de pensamento por trás daqueles olhos escuros e maquiavélicos. Ela percebia que Anna tentava traçar seu próximo movimento. Talvez planejasse outro truque. Talvez esperasse o momento exato para atacar novamente.
Mas Isla não se importava mais. Estava cansada de sentir medo. Desta vez, estava pronta.
— Fique onde está. — Disse Isla novamente.
— Eu estou falando sério.
Anna avançou.
Aconteceu rápido demais.
Isla tentou se mover, mas seu salto dobrou sob o pé enquanto ela recuava. Ela tropeçou, perdendo o equilíbrio. O cabo voou de suas mãos, atingindo a parede atrás dela com um estalo alto.
Então, sua cabeça atingiu o piso frio de cerâmica com força.
A dor foi instantânea e lancinante. Sua visão embaçou. O mundo girou violentamente por um milésimo de segundo antes de desvanecer completamente na escuridão.
E, assim, Isla ficou imóvel.
A próxima coisa que ela ouviu foi um bipe. Um ritmo suave e constante que ecoava debilmente em algum lugar distante.
Bip... bip... bip...
O som era remoto a princípio, depois cresceu, tornando-se mais alto e próximo até preencher seus ouvidos.
Sua cabeça latejava. Sua garganta parecia seca. E então, uma dor aguda atingiu o lado de sua cabeça, fazendo-a estremecer.
— Por favor... — Murmurou fracamente, a voz pouco acima de um sussurro.
— Por favor, não machuque o meu bebê.
Uma voz familiar soou em seus ouvidos.
— Isla, por favor, abra os olhos.
Ela conhecia aquela voz. Poderia reconhecê-la em qualquer lugar. Mesmo em seus sonhos.
— Gabriel... — Sussurrou ela, as pálpebras tremulando enquanto as forçava a abrir.
No início, tudo estava nublado. O teto branco e brilhante acima dela a fez franzir o cenho. Mas, lentamente, a figura à sua frente tornou-se nítida. Ela pôde ver o rosto preocupado e os olhos marejados do homem que segurava sua mão com força.
— Gabriel? — Chamou ela baixinho.
— Sim, meu amor. — Disse ele imediatamente, a voz densa de emoção.
— Estou aqui. Obrigado... obrigado por voltar para mim.
Ela conseguia vê-lo claramente agora. Seu rosto estava pálido, marcado pela exaustão. Seu cabelo escuro, geralmente impecável, estava bagunçado, caindo sobre a testa. Havia olheiras profundas sob seus olhos e sua camisa estava amarrotada, como se ele não dormisse há dias.
O coração dela se apertou.
— Como está o nosso bebê? —Perguntou ela, a voz tênue.

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